PF vê delação de Vorcaro com reservas e cobra informações mais relevantes
Investigadores avaliam que material complementar entregue pela defesa não altera cenário das apurações e mantêm resistência ao acordo
Por: Redação
08/06/2026 às 22:09

Foto: Divulgação
A Polícia Federal mantém ressalvas em relação à proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Integrantes da corporação avaliam que o material complementar entregue pela defesa recentemente não trouxe informações capazes de alterar de forma significativa o rumo das investigações em andamento.
Segundo fontes ligadas ao caso, o aditivo protocolado na semana passada foi considerado insuficiente para atender às expectativas dos investigadores. A avaliação predominante é de que os fatos apresentados já eram conhecidos pela equipe responsável pelas apurações e não configuram revelações capazes de justificar uma mudança de entendimento sobre a colaboração.
Entre os temas mencionados por Vorcaro estão repasses atribuídos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e referências ao filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com investigadores, os elementos apresentados teriam caráter mais contextual do que propriamente probatório.
A defesa do empresário ainda trabalha para reforçar a proposta de colaboração. O prazo para apresentação de novos elementos termina nesta semana, em uma tentativa de convencer tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a relevância das informações oferecidas.
A decisão final sobre a eventual homologação do acordo caberá ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha as negociações entre as partes. Nos últimos dias, o magistrado se reuniu com representantes de Vorcaro para discutir os termos da colaboração.
O clima de desconfiança em relação ao acordo não é recente. Uma versão anterior da delação já havia enfrentado resistência das autoridades responsáveis pelo caso. Desde então, as tratativas passaram a envolver conjuntamente a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.
Outro fator que reforça as dúvidas dos investigadores são os resultados de perícias realizadas em equipamentos eletrônicos apreendidos com Vorcaro. Segundo a reportagem, os materiais analisados apontariam indícios que vão além de suspeitas de fraudes financeiras, alcançando possíveis crimes relacionados à corrupção, organização criminosa e monitoramento ilegal de adversários.
Paralelamente às negociações, também segue em discussão o valor de eventual reparação financeira. Interlocutores do empresário afirmam que ele estaria disposto a elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o montante a ser devolvido em um possível acordo com a PGR.
Apesar das conversas em andamento, a avaliação predominante entre investigadores é de que o conteúdo apresentado até o momento ainda não superou os obstáculos que cercam a celebração do acordo de colaboração premiada.
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