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Alcolumbre mantém votação do PL da Dosimetria apesar de resistência no Senado
Alcolumbre mantém votação do PL da Dosimetria apesar de resistência no Senado
Projeto que corrige excessos penais enfrenta oposição silenciosa e pode ser empurrado para 2026 diante do medo político de “assinar” a pauta
Por: Redação
15/12/2025 às 11:37

Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil
Mesmo sob forte pressão nos bastidores, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu pautar para esta quarta-feira (17) a análise do Projeto de Lei da Dosimetria no plenário da Casa. A iniciativa, no entanto, encontra resistência interna e ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde cresce a inclinação para barrar ou ao menos adiar a tramitação.
Há também a possibilidade de pedido de vista, o que daria mais tempo aos senadores para analisar o texto e, na prática, empurraria a votação para 2026. A estratégia vem sendo discutida tanto por parlamentares da base do governo quanto da oposição, em um raro consenso motivado menos pelo mérito do projeto e mais pelo custo político de votar uma matéria considerada sensível.
Nos corredores do Senado, a avaliação é de que poucos querem “deixar digitais” em um projeto que, segundo críticos, poderia beneficiar condenados por crimes não relacionados aos atos de 8 de Janeiro. Esse argumento tem sido usado como justificativa para esfriar a tramitação, mesmo após a aprovação do texto pela Câmara dos Deputados.
O PL da Dosimetria altera regras de progressão de regime, permitindo que condenados com bom comportamento avancem do regime fechado para o semiaberto ou aberto após o cumprimento de um sexto da pena, e não mais um quarto. A mudança não se aplica a crimes hediondos nem a réus reincidentes, ponto frequentemente ignorado por críticos do projeto.
O texto também propõe o fim da soma automática de penas em crimes contra o Estado Democrático de Direito, como tentativa de golpe e abolição violenta do Estado de Direito, determinando que prevaleça a pena mais grave, e não a soma. A medida busca alinhar o Brasil a princípios de proporcionalidade penal e corrigir distorções que resultaram em penas consideradas desproporcionais, inclusive no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Apesar disso, o projeto passou a ser tratado como símbolo político. Neste fim de semana, movimentos ligados à esquerda, como MST e MTST, organizaram protestos em vários estados sob o lema “Congresso Inimigo do Povo”, numa tentativa de pressionar parlamentares e criar um ambiente de constrangimento público em torno da proposta.
Alcolumbre já havia anunciado a votação do projeto no plenário no dia 9 de dezembro, após se comprometer com lideranças partidárias a dar andamento à proposta caso ela fosse aprovada pela Câmara — o que ocorreu na madrugada de 10 de dezembro. O senador defende a atualização da legislação penal, em linha com o texto relatado na Câmara por Paulinho da Força (Solidariedade-SP).
Ainda assim, setores do Senado tentam agora reabrir um debate já vencido na Câmara, alegando que a mudança nas regras de progressão poderia alcançar crimes como ambientais, coação no curso do processo e incêndio doloso. Para críticos dessa posição, trata-se de um argumento seletivo, usado como pretexto para impedir qualquer revisão das penas aplicadas após os eventos de 8 de Janeiro.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator do PL Antifacção aprovado por unanimidade no Senado, reconheceu que o texto pode “ultrapassar” o foco inicial, mas aliados do projeto afirmam que essa leitura ignora salvaguardas já previstas e serve apenas para frear uma correção legislativa necessária.
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