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Após sanção dos EUA a Moraes, Lula promove jantar com ministros do STF no Alvorada
Após sanção dos EUA a Moraes, Lula promove jantar com ministros do STF no Alvorada
Encontro buscou demonstrar unidade institucional e apoio político ao ministro sancionado pelo governo Trump sob acusação de abusos judiciais
Por: Redação
01/08/2025 às 06:40

Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu na noite desta quinta-feira (31) diversos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para um jantar no Palácio da Alvorada, em gesto simbólico de apoio ao ministro Alexandre de Moraes. O encontro ocorreu um dia após o governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, incluir Moraes nas sanções da Lei Magnitsky — dispositivo que pune indivíduos acusados de violar direitos humanos ou cometer atos de corrupção.
O jantar foi articulado após reunião emergencial entre Lula, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, realizada ainda na quarta-feira. Moraes, que estava em São Paulo para assistir à partida entre Corinthians e Palmeiras, foi convidado posteriormente, assim como os demais integrantes da Corte.
Segundo apuração da GloboNews, participaram do jantar: Alexandre de Moraes, Barroso, Zanin, Gilmar Mendes, Edson Fachin, Flávio Dino (ministro do STF licenciado), além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Não compareceram André Mendonça, Nunes Marques, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
Pronunciamento e retomada do Judiciário
O jantar ocorre às vésperas da cerimônia de reabertura do semestre judiciário, marcada para esta sexta-feira (1º), ocasião em que Moraes deve se manifestar publicamente pela primeira vez sobre as sanções. Nos bastidores, a expectativa é de um discurso firme em defesa da soberania do Judiciário brasileiro.
Enquanto isso, Lula deve gravar um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV para defender o STF e repudiar o que classificou como “interferência inaceitável” dos EUA. Em nota oficial, o Planalto acusou “políticos brasileiros” de terem articulado a sanção contra Moraes junto ao governo Trump.
“É inaceitável a interferência do governo norte-americano na Justiça brasileira. O governo brasileiro se solidariza com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, alvo de sanções motivadas pela ação de políticos brasileiros que traem nossa pátria e nosso povo em defesa dos próprios interesses”, afirmou a Presidência.
Pressões internacionais e embate político
O governo dos Estados Unidos justificou a medida afirmando que Moraes “assumiu a responsabilidade de ser juiz e júri em uma caça às bruxas ilegal contra cidadãos e empresas americanas e brasileiras”, citando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e decisões que impuseram restrições a plataformas digitais.
Em resposta, o STF emitiu uma nota oficial ressaltando que o julgamento de crimes contra a democracia cabe exclusivamente à Justiça brasileira, no pleno exercício de sua função constitucional.
As reações do governo Lula e da cúpula do Judiciário indicam um esforço conjunto para proteger a legitimidade das instituições nacionais diante de uma ação internacional sem precedentes. Nos próximos dias, o clima entre os Três Poderes e o posicionamento oficial do Congresso — até agora em silêncio — devem indicar o grau de tensão que o episódio ainda poderá gerar.
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