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Após transferir Bolsonaro para a Papudinha, Moraes afirma ter feito “o que tinha que fazer”

Após transferir Bolsonaro para a Papudinha, Moraes afirma ter feito “o que tinha que fazer”

Declaração em tom irônico do ministro do STF ocorre horas depois da decisão e durante cerimônia de formatura na USP

Por: Redação

16/01/2026 às 08:24

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Horas depois de determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a chamada Papudinha, no Complexo da Papuda, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou publicamente que já havia feito “o que tinha que fazer”. A declaração foi dada na noite de quinta-feira (15), durante a cerimônia de colação de grau da 194ª turma de Direito da Universidade de São Paulo.

A fala ocorreu enquanto Moraes discursava como patrono da turma, em um evento realizado em uma casa de eventos na zona sul da capital paulista. Em tom informal, ao comentar o tempo excedido das falas no palco, o ministro brincou que “quase teve que tomar algumas medidas”, acrescentando em seguida, sob aplausos do público: “Mas me contive hoje, acho que hoje já fiz o que tinha que fazer”.

 

Decisão judicial e contexto

A declaração ocorreu no mesmo dia em que Moraes ordenou a transferência de Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. A unidade integra o Complexo Penitenciário da Papuda e é conhecida como Papudinha. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, após condenação relacionada à chamada trama golpista.

Segundo os autos, Bolsonaro havia sido colocado inicialmente sob custódia da Polícia Federal após descumprir medidas cautelares, incluindo tentativa de violação da tornozeleira eletrônica durante o período de prisão domiciliar. Desde então, decisões subsequentes do STF mantiveram o endurecimento do regime de custódia.

A manifestação pública de Moraes, ainda que em tom de ironia, repercutiu entre parlamentares e juristas, sobretudo por ocorrer poucas horas após uma decisão judicial de forte impacto político. Críticos apontam inadequação na postura pública de um ministro da Suprema Corte diante de um caso sensível; defensores afirmam que a fala não interfere no conteúdo jurídico da decisão já tomada.

Durante o discurso, Moraes também ressaltou o papel da Faculdade de Direito da USP na defesa da República e citou episódios como a Revolução Constitucionalista de 1932, afirmando que os novos formandos carregam uma responsabilidade institucional com o país.

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