Bahia destina R$ 21,5 milhões para formação de estudantes em Cuba
Programa financiado pela Sesab reacende debate sobre parceria com regime cubano
Por: Redação
13/11/2025 às 09:58

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
O governo da Bahia decidiu investir R$ 21.584.142,90 — cerca de R$ 21,5 milhões — para custear a formação de 60 estudantes baianos de baixa renda na Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), em Cuba. O valor será repassado diretamente ao governo cubano e cobre todo o curso de seis anos e meio. O edital foi publicado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) na última terça-feira (11). A seleção prioriza jovens que vivem em áreas rurais.
O investimento, pago anualmente, representa aproximadamente R$ 360 mil por estudante e inclui matrícula, hospedagem, alimentação e bolsa. Segundo dados da própria Sesab, o objetivo seria ampliar a presença de médicos em regiões onde há déficit de profissionais — argumento semelhante ao usado em políticas federais anteriores que envolveram cooperação com Cuba.
Fontes da Elam informam que o custo do curso, sem bolsa, é de cerca de US$ 57,4 mil (aproximadamente R$ 303 mil), além de gastos com hospedagem, estimada em US$ 6,85 por dia (R$ 36). Com base nesses valores, o investimento total do governo baiano pode ultrapassar R$ 23,2 milhões.
O acordo foi firmado entre Sesab, governo cubano e Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), com a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) responsável pelo processo seletivo. Após concluir o curso e revalidar o diploma no Brasil, os médicos deverão atuar por dois anos em comunidades rurais ou áreas de difícil acesso.
Os candidatos devem:
Ser brasileiros, com prioridade para moradores de zonas rurais da Bahia;
Ter concluído o ensino médio, preferencialmente em escola pública;
Ter 18 anos completos e passaporte válido;
Apresentar carta de recomendação de movimento social;
Assinar compromisso para trabalhar dois anos em regiões carentes;
Comprovar baixa renda, com renda familiar per capita de até meio salário mínimo ou participação em programas sociais.
Criada por Fidel Castro em 1999, a Escola Latino-Americana de Medicina tem como foco formar médicos para países pobres da América Central e Caribe. Desde então, mais de 30 mil profissionais de 120 países já passaram pela instituição.
A iniciativa baiana revive debates do período do Mais Médicos, programa lançado pelo governo Dilma Rousseff em 2013. O projeto levou milhares de cubanos ao Brasil, mas foi marcado por críticas à falta de transparência no repasse de recursos ao regime cubano, intermediado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Estimativas apontavam que apenas 25% a 40% dos valores pagos chegavam de fato aos médicos.
A polêmica cresceu após cobranças por mais controle e exigências de revalidação de diplomas, especialmente após críticas do então deputado Jair Bolsonaro. Em 2018, Cuba decidiu retirar mais de 8 mil médicos do programa, encerrando uma das parcerias mais controversas entre os dois países.
Agora, com o novo investimento baiano — novamente direcionado ao governo cubano — o tema volta ao centro do debate público, reacendendo questionamentos sobre custos, transparência e contrapartidas.
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