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Bahia tem 193 mil processos travados no INSS e enfrenta uma das maiores filas do país
Bahia tem 193 mil processos travados no INSS e enfrenta uma das maiores filas do país
Estado concentra 20% das solicitações pendentes do Nordeste; especialistas apontam falta de servidores, má gestão e impacto das fraudes na Previdência
Por: Redação
19/11/2025 às 07:51

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A Bahia acumula 193.761 processos parados no INSS, ocupando o posto de quarta maior fila previdenciária do Brasil. O número ressalta o colapso administrativo do órgão e evidencia a dificuldade dos baianos em acessar benefícios essenciais — cenário que só piorou nos últimos meses.
Segundo dados recentes do INSS, entre junho e agosto houve um novo aumento da fila, revertendo a queda registrada entre abril e junho. O movimento segue a tendência nacional: desde dezembro de 2024, o país vê suas filas crescerem mês a mês, atingindo hoje 2,6 milhões de brasileiros aguardando análise.
Benefícios por incapacidade representam metade da fila baiana
Na Bahia, o maior gargalo está nos benefícios por incapacidade, que somam 96.794 solicitações. Desse total:
- 39.747 aguardam há até 45 dias
- 57.047 esperam há mais de 45 dias
A legislação prevê que análises devem ser concluídas em até 60 dias, e perícias em 45 dias — prazos que vêm sendo amplamente descumpridos.
Casos como o de Verônica Coelho, 64 anos, portadora de câncer nos ossos, ilustram a dimensão humana do problema: há seis anos ela espera resposta ao pedido do BPC-LOAS.
“O processo é cansativo. Trabalhei pouco de carteira assinada e agora não consigo me aposentar por invalidez”, relata.
Nordeste lidera fila nacional — e Bahia é protagonista da crise
A região Nordeste concentra 958.946 solicitações pendentes. A Bahia representa 20,2% desse total, ficando atrás apenas do Ceará.
Segundo Valdemir Medeiros, do Sindprev, o principal entrave é a falta de servidores e peritos:
“Tem gente de Salvador fazendo perícia em Santo Amaro e vice-versa. Tivemos até caso de Ribeira do Pombal vindo para a capital. O sistema de sorteio não acompanha a demanda.”
Greve, biometria obrigatória, cortes orçamentários e fraudes paralisam o INSS
Especialistas apontam múltiplos fatores para o caos atual:
- Greve dos peritos prejudicou análises médicas.
- Biometria obrigatória no BPC-LOAS aumentou a lentidão.
- Quadro reduzido de servidores.
- Suspensão do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB) por falta de verba.
- Impacto institucional das fraudes no INSS, reveladas em maio, que levaram inclusive à prisão do então presidente do órgão, Alessandro Stefanutto.
O PGB — principal iniciativa para reduzir a fila — ficou paralisado devido ao bloqueio orçamentário. O governo federal teve de liberar R$ 7 milhões para pagar bônus de produtividade referentes a setembro, além de um reforço adicional para evitar o travamento total das agências.
“Cada dia sem o programa representa milhares de processos parados. Vai além da burocracia — é questão de dignidade”, afirma o advogado Eddie Parish.
Mesmo com a liberação emergencial de R$ 217 milhões, a normalização do fluxo depende do equilíbrio fiscal do país. A meta para 2026 prevê um superávit primário de R$ 34,3 bilhões, o que pode restringir novas liberações orçamentárias e tornar a redução da fila ainda mais lenta.
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