Bolsonaro ocupa 137 páginas da PGR; Heleno, só 17
Manifestação da Procuradoria gasta 3 vezes mais espaço com ex-presidente do que com qualquer outro réu e reafirma perseguição política disfarçada de processo judicial
Por: Redação
15/07/2025 às 07:23

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Procuradoria-Geral da República (PGR) entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) suas alegações finais na ação penal que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022 — e o alvo central voltou a ser o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Dos 517 páginas do documento, impressionantes 137 são inteiramente dedicadas a ele, consolidando a imagem de um processo centrado mais em destruir uma figura política do que em esclarecer os fatos.
O texto foi assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet, e descreve uma narrativa cronológica para tentar vincular Bolsonaro àquilo que a PGR chama de “organização criminosa” voltada à ruptura do Estado Democrático de Direito. A parte sobre o ex-presidente vai do fim da página 65 até a metade da página 202.
Outros nomes citados no processo — ex-ministros e militares de alta patente — receberam bem menos atenção. Veja a divisão:
Alexandre Ramagem (PL-RJ) – 51 páginas
Almir Garnier (ex-comandante da Marinha) – 38 páginas
Anderson Torres (ex-ministro da Justiça) – 87 páginas
Augusto Heleno (ex-ministro do GSI) – 17 páginas
Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) – 35 páginas
Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil) – 51 páginas
Mauro Cid (ex-ajudante de ordens) – 29 páginas
Todos são acusados de cinco crimes:
Tentativa de golpe de Estado
Abolição violenta do Estado Democrático de Direito
Participação em organização criminosa armada
Dano qualificado
Deterioração de patrimônio tombado
A denúncia descreve Bolsonaro como o “líder da organização”, acusando-o de usar o cargo presidencial para tentar "minar o Judiciário" e “prejudicar a alternância de poder” nas eleições de 2022. Segundo a PGR, o ex-presidente teria disseminado uma “narrativa falaciosa” por meio da imprensa e redes sociais.
O processo foi formalizado em fevereiro de 2025, após a PGR apresentar denúncia aceita em março pela 1ª Turma do STF. A instrução penal ocorreu entre abril e junho.
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