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BRB comprou duas vezes mesma dívida sem garantia e ignorou alertas técnicos, apontam documentos
BRB comprou duas vezes mesma dívida sem garantia e ignorou alertas técnicos, apontam documentos
Operação de quase R$ 500 milhões envolve ativos considerados frágeis e levanta suspeitas sobre gestão do banco estatal
Por: Redação
06/04/2026 às 21:57

Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES
Documentos obtidos com exclusividade revelam que o Banco de Brasília (BRB) adquiriu duas vezes a mesma cédula de crédito bancário (CCB) do Banco Master, em operações que somam cerca de R$ 498 milhões — mesmo diante de alertas técnicos internos e ausência de garantias adequadas.
O caso envolve uma dívida atribuída à empresa RKO Alimentos, frigorífico do Mato Grosso, que teria contratado um empréstimo de R$ 400 milhões em 2023. O BRB realizou duas aquisições dessa mesma carteira: a primeira, em outubro de 2024, por R$ 174 milhões; e a segunda, em junho de 2025, por R$ 324 milhões.
Na primeira operação, o banco estatal condicionou a compra à apresentação de uma garantia imobiliária avaliada em R$ 1,3 bilhão, localizada em Mata de São João (BA). No entanto, investigações apontaram que o imóvel nunca pertenceu ao Banco Master, o que inviabilizaria sua utilização como garantia — e levanta dúvidas sobre a consistência da operação.
Já a segunda aquisição ocorreu em ritmo acelerado, mesmo após a identificação de problemas em outras carteiras adquiridas anteriormente pelo BRB. A urgência estaria ligada à necessidade de substituir ativos considerados problemáticos, em meio a tratativas com o Banco Central.
Apesar disso, a área técnica do próprio banco apontou uma série de fragilidades na operação. Um relatório interno identificou ao menos 18 riscos relevantes, incluindo ausência de garantias reais, falta de comprovação do uso dos recursos, deficiência de informações financeiras atualizadas e baixo índice de cobertura da operação.
“Entendemos que a falta de acompanhamento de uma operação com saldo devedor atual de mais de R$ 550 milhões também representa uma fragilidade da operação de crédito”, alertou o corpo técnico do banco.
Mesmo diante desses apontamentos, a compra foi aprovada no mesmo dia — 30 de junho de 2025 — sem a inclusão de condicionantes. O parecer jurídico, que sugeria medidas de proteção, só foi emitido posteriormente, quando a transação já havia sido concluída.
Outro ponto que chamou atenção foi a mudança no destino dos recursos vinculados à operação. Inicialmente, o valor deveria estar aplicado em um fundo específico, mas, no momento da segunda negociação, os recursos estavam alocados em outro fundo, sem apresentação de aditivo contratual.
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