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“Careca do INSS” compra lancha de R$ 3,4 milhões durante farra dos descontos fraudulentos
“Careca do INSS” compra lancha de R$ 3,4 milhões durante farra dos descontos fraudulentos
Lobista envolvido no esquema que lesou aposentados ostenta embarcação de luxo no Lago Paranoá; Polícia Federal ainda não apreendeu o bem
Por: Redação
19/11/2025 às 07:38

Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, adquiriu uma lancha de luxo avaliada em R$ 3,4 milhões no auge do esquema de descontos ilegais aplicados a aposentados e pensionistas da Previdência — fraude que teria movimentado milhões e levado pânico aos segurados em todo o Brasil.
A embarcação, com capacidade para 19 pessoas, segue ancorada em uma marina no Lago Paranoá, área nobre de Brasília, e ainda não foi apreendida pela Polícia Federal, apesar de seu valor e das suspeitas que envolvem o proprietário.
O veículo de luxo conta com:
- ar-condicionado, revestimento acústico e plataforma submersível;
- quatro TVs de 32", rádio Bluetooth, 10 alto-falantes JBL;
- frigobar, micro-ondas, cooktop e churrasqueira elétrica;
- mesa cockpit, porta-copos e boiler térmico de 40 litros.
Na mesma marina, o lobista mantém um jet ski Sea-Doo RXP-X 325, avaliado em cerca de R$ 100 mil.
Compra milionária ocorreu enquanto aposentados eram lesados
Antunes iniciou a aquisição da lancha em abril de 2024, por meio da empresa Prospect Consultoria Empresarial S.A., adquirindo inicialmente dois terços da embarcação por R$ 2,2 milhões. A quitação ocorreu em 10 parcelas.
Em janeiro deste ano, já às vésperas da Operação Sem Desconto, o lobista assinou um aditivo para adquirir o terço restante por mais R$ 1,2 milhão, divididos em três pagamentos via Pix — o último realizado em 10 de abril, poucos dias antes da deflagração da investigação.
Apesar de ter pago integralmente a lancha, o bem segue no nome da Madrid Participações, holding do setor de saúde sediada em Recife. O presidente da empresa, Robson Medina Catão, afirma que não teve tempo de transferir oficialmente a propriedade porque perdeu contato com Antunes após o início da operação policial.
Família consultou advogados para usar os veículos
Segundo relatos, um dos filhos do lobista procurou a antiga defesa para perguntar se poderia “ligar os veículos aquáticos” para evitar desgaste dos motores — sinal de que a família seguia usufruindo do patrimônio mesmo após a investigação.
O advogado Cleber Lopes, que representava Antunes na época, confirmou que o cliente o procurou sobre a regularização dos documentos, mas que o processo não foi concluído. A nova defesa, comandada pela advogada Danyelle Galvão, afirma que está levantando todas as informações patrimoniais para apresentá-las à Justiça.
Coaf aponta movimentações suspeitas do empresário que vendeu a lancha
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também identificou transações atípicas envolvendo o vendedor da embarcação, Robson Catão. O relatório menciona movimentações consideradas incompatíveis com sua capacidade financeira, alertando para possível lavagem de dinheiro.
Segundo o Coaf, “não foi possível estabelecer vínculo econômico entre o cliente e as principais contrapartes, tampouco determinar a finalidade e licitude dos recursos movimentados.”
O documento foi enviado à CPMI do INSS, que investiga justamente o esquema de fraudes que drenou recursos de aposentadorias e beneficiários vulneráveis.
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