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CGU aponta caos na gestão do Ministério da Saúde e desperdício bilionário em vacinas e medicamentos

CGU aponta caos na gestão do Ministério da Saúde e desperdício bilionário em vacinas e medicamentos

Auditoria revela perda de R$ 2,3 bilhões em insumos do SUS e falhas graves na logística; governo tenta culpar gestão anterior, mas relatório abrange até 2023

Por: Redação

12/11/2025 às 08:44

Imagem de CGU aponta caos na gestão do Ministério da Saúde e desperdício bilionário em vacinas e medicamentos

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dois relatórios divulgados pela Controladoria-Geral da União (CGU) escancaram o descontrole do Ministério da Saúde na compra e no gerenciamento de vacinas, medicamentos e testes de Covid-19. Segundo a auditoria, o prejuízo causado pelo desperdício de imunizantes e remédios chegou a R$ 2,3 bilhões entre 2021 e 2023, resultado de falhas estruturais e má gestão dos estoques do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Entre as principais irregularidades apontadas pela CGU estão:

  1. Ausência de parâmetros para perdas aceitáveis;
  2. Sistemas de controle ineficientes e sem rastreabilidade;
  3. Descumprimento de normas da própria pasta;
  4. Falta de governança na logística e armazenamento;
  5. Recebimento de insumos com prazos de validade curtos.

 

Além disso, a CGU descobriu superdimensionamento de compras de testes de Covid-19 — o ministério chegou a planejar a aquisição de 90 milhões de unidades, reduzindo o número apenas após intervenção do órgão de controle.

O relatório ainda critica o fato de o ministério não monitorar o destino dos medicamentos e vacinas enviados a estados e municípios, o que compromete toda a cadeia logística e a transparência dos gastos públicos.

 

R$ 1,5 bilhão em vacinas jogadas fora

Do total de perdas, R$ 1,5 bilhão corresponde apenas a vacinas contra a Covid-19 que venceram nos depósitos do governo federal. O restante inclui anestésicos, insumos hospitalares e equipamentos de proteção individual. Segundo o documento, o desperdício representa “um risco grave de perda de eficiência das políticas públicas de saúde e aumento de custos para o Estado”.

Mesmo diante da gravidade dos dados, o Ministério da Saúde tentou isentar a atual gestão e atribuir os prejuízos à “herança do governo anterior”, apesar de a própria CGU deixar claro que os desperdícios continuaram ocorrendo em 2023. A pasta afirmou ainda que vem adotando “modelos preditivos e inteligência artificial” para otimizar o sistema de estoques — medidas que, até agora, não impediram novas perdas.

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