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“Churrasqueiro do Lula” e o patrocínio da militância: Correios bancam turnê enquanto afundam em prejuízos
“Churrasqueiro do Lula” e o patrocínio da militância: Correios bancam turnê enquanto afundam em prejuízos
Com rombo bilionário e denúncias de aparelhamento, estatal destina R$ 4 milhões à despedida de Gilberto Gil — onde público grita “Sem Anistia” e pede prisão de Bolsonaro.
Por: Redação
23/06/2025 às 20:00

Foto: Ricardo Stuckert
A despedida de Gilberto Gil das grandes turnês tem sido marcada não só pela música, mas por um tom abertamente político. Durante os shows da turnê Tempo Rei, um vídeo de Chico Buarque entoando “Cálice” serve de gatilho para que o público grite “Sem Anistia” e exija, com xingamentos, a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.
O que em outros tempos poderia soar como um ato espontâneo da classe artística, hoje ganha contornos mais polêmicos: a turnê é bancada com recursos públicos. Os Correios, mesmo atolados em prejuízos e cortes, destinaram R$ 4 milhões à produção do espetáculo, em meio à pior crise financeira de sua história recente.
Em 2024, a estatal registrou um rombo de R$ 2,6 bilhões, quatro vezes maior que o do ano anterior. No primeiro trimestre de 2025, o prejuízo já chega a R$ 1,7 bilhão. Ainda assim, desde o retorno do PT ao poder, os Correios já gastaram R$ 38,4 milhões com patrocínios culturais — número que contrasta com os cerca de R$ 430 mil anuais investidos no governo anterior.
Quem é o “churrasqueiro do Lula”
Por trás da decisão está Fabiano Silva dos Santos, presidente da estatal e figura central no grupo Prerrogativas — coletivo de advogados que atuou na campanha de Lula e foi decisivo na articulação contra a Lava Jato. Conhecido nos bastidores como “churrasqueiro do Lula”, por organizar confraternizações e jantares políticos durante a prisão do ex-presidente, Fabiano hoje comanda a maior empresa pública de logística da América Latina.
Com histórico petista e ligações antigas com o partido, o gestor acumula críticas por supostas nomeações políticas e má gestão. Recentemente, teve o salário reajustado em 14% e já foi condenado por assédio moral contra um funcionário.
Apesar das denúncias e do apelido, nega qualquer proximidade pessoal com Lula. “Adoro um churrasco, mas não faço para o presidente”, disse à IstoÉ. No entanto, sua presença no núcleo duro do governo é inegável: o grupo Prerrogativas, ao qual pertence, emplacou mais de 30 nomes em cargos estratégicos desde 2023.
Militância com dinheiro público
A crise dos Correios é atribuída por Silva dos Santos ao governo anterior, que teria deixado a estatal sucateada em nome da privatização. Mas, na prática, a gestão atual usa o caixa da empresa para impulsionar eventos de forte conotação política, como a turnê de despedida de Gil — a mesma que já foi usada em 2018 para protestar contra a prisão de Lula no Festival Lula Livre.
Em vez de concentrar esforços em modernização e equilíbrio fiscal, os Correios parecem priorizar a afinidade ideológica. No palco, a música virou grito de guerra. Fora dele, a conta fica para o contribuinte.
Se quiser, posso criar uma linha do tempo dos patrocínios dos Correios ou uma análise do impacto político da turnê de Gil.
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