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Coaf aponta movimentação de R$ 1,2 bilhão em sindicato ligado ao irmão de Lula
Coaf aponta movimentação de R$ 1,2 bilhão em sindicato ligado ao irmão de Lula
Sindnapi, investigado na “Farra do INSS”, fez saques milionários e repasses a empresas de familiares de dirigentes
Por: Redação
02/10/2025 às 09:29

O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), entidade que tem como vice-presidente o Frei Chico — irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — movimentou R$ 1,2 bilhão entre janeiro de 2019 e junho de 2025, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O documento, enviado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, detalha que R$ 586 milhões foram créditos (entradas) e R$ 613 milhões, débitos (saídas). Chama atenção a realização de R$ 6,5 milhões em operações em espécie, entre saques e depósitos, considerados de difícil rastreamento.
Repasses a empresas de familiares
O relatório revela ainda que empresas ligadas a familiares de dirigentes do sindicato receberam R$ 8,2 milhões no período analisado. Os repasses beneficiaram parentes do atual presidente da entidade, Milton Baptista de Souza Filho (conhecido como Milton Cavalo), e do ex-presidente João Batista Inocentini, o João Feio, falecido em 2023.
Procurado, o Sindnapi não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem.
Crescimento explosivo
Ligado à Força Sindical, o Sindnapi foi um dos principais beneficiados pela chamada “Farra do INSS” — escândalo revelado pelo Metrópoles e investigado pela Polícia Federal. Entre 2020 e 2024, os valores repassados ao sindicato via descontos aplicados em benefícios de aposentados cresceram 564%, saltando de R$ 23,2 milhões para R$ 154,7 milhões.
No auge da farra, entre 2021 e 2023, o número de filiados aumentou de 170 mil para 420 mil associados. Nesse período, segundo o TCU, o faturamento do sindicato subiu de R$ 41 milhões para R$ 149 milhões.
Apesar dos indícios, o Sindnapi não foi incluído na investigação aberta pelo INSS, conduzida pela CGU e pela AGU, que focou em entidades classificadas como “fantasmas” ou sem comprovação mínima de existência. Ainda assim, relatório da CGU aponta que o sindicato não conseguiu apresentar documentação completa de nenhum associado em uma amostra fiscalizada.
Operação Sem Desconto
As apurações da Polícia Federal já levaram à Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, que culminou na saída do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT).
O escândalo aumenta a pressão política sobre o governo e expõe a fragilidade no controle de entidades que atuam com autorização para descontar diretamente dos benefícios de aposentados há mais de uma década.
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