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Colunista do Wall Street Journal denuncia suposta armação contra ex-assessor de Bolsonaro com registro falso nos EUA
Colunista do Wall Street Journal denuncia suposta armação contra ex-assessor de Bolsonaro com registro falso nos EUA
Documento de entrada fraudulento nos Estados Unidos teria sido usado como base para a prisão de Filipe Martins no Brasil; caso levanta suspeitas sobre interferência política internacional
Por: Redação
28/07/2025 às 07:40

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Uma denúncia publicada neste domingo (27) pelo Wall Street Journal, um dos jornais mais influentes dos Estados Unidos, aponta para uma possível fraude dentro do Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) norte-americano envolvendo o nome de Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro. A autora do artigo é Mary Anastasia O’Grady, colunista reconhecida por sua cobertura de política latino-americana.
Segundo O’Grady, registros falsos de entrada nos EUA atribuídos a Martins foram publicados no sistema da CBP em duas ocasiões distintas, com o primeiro aparecendo em março de 2024 e o segundo, em julho de 2025, mesmo após remoção anterior do arquivo com base em inconsistências.
Documento forjado e base para prisão
O registro forjado indicava que Martins teria entrado nos EUA em 30 de dezembro de 2022 — informação refutada por comprovantes de cartão de crédito, registros de celular e o manifesto de um voo comercial no Brasil. Mesmo assim, esse dado foi utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para manter Martins preso por seis meses e, desde então, em prisão domiciliar.
A defesa do ex-assessor alegou que a entrada nos EUA nunca ocorreu e cobra das autoridades norte-americanas a identificação de quem teria inserido os dados falsos no sistema da CBP.
“Não há nenhuma motivação americana óbvia para inventar uma viagem de Martins que não aconteceu. Mas alguém trabalhando dentro da CBP em nome de interesses políticos brasileiros opostos a Bolsonaro teria essa motivação”, escreveu O’Grady.
Silêncio e censura do governo americano
O caso tornou-se ainda mais grave com a revelação de que o documento reapareceu recentemente no sistema da CBP, com os mesmos erros, como o uso de um passaporte dado como perdido desde 2021 e a grafia incorreta do nome do ex-assessor (“Felipe” em vez de “Filipe”).
Apesar de questionamentos formais feitos pela defesa de Martins, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) se recusou a fornecer informações completas, citando um “litígio pendente”. Os logs entregues vieram com trechos censurados, omitindo o nome do funcionário responsável pela inclusão e a data da modificação.
“Por razões de segurança nacional dos EUA, o DHS deveria querer saber também”, alertou O’Grady. “O que é pior: o crime ou o encobrimento?”
Pressões e delações sob suspeita
A articulista também questiona a condução da investigação no Brasil. Segundo ela, o caso contra Bolsonaro tem se apoiado em acordos de delação premiada com testemunhas que afirmam terem sido coagidas. Em março, um áudio de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e principal delator, veio à tona com queixas sobre pressão para acusar o ex-presidente.
Na última semana, o próprio Filipe Martins declarou ao tribunal que foi mantido em condições desumanas para forçá-lo a cooperar. Moraes tem reiterado que atua para “defender a democracia brasileira”.
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