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Comissão da Câmara articula convocação de ministro da Justiça após alerta do TCU sobre facções
Comissão da Câmara articula convocação de ministro da Justiça após alerta do TCU sobre facções
Parlamentares querem explicações sobre falhas em programa de fronteiras que, segundo auditoria, favoreceram PCC e Comando Vermelho
Por: Redação
26/03/2026 às 07:51

Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert
A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deve aprovar, nos próximos dias, a convocação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, para prestar esclarecimentos sobre falhas apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (PPIF).
O movimento conta com apoio majoritário no colegiado, composto em grande parte por parlamentares da oposição, e é liderado pelo deputado Rodolfo Nogueira (PL). O requerimento se baseia em auditoria realizada pelo TCU entre 2024 e 2025, que identificou baixa execução das ações previstas no programa.
De acordo com o levantamento, apenas 54% dos planos de ação foram efetivamente implementados. Dos 42 projetos elaborados para integrar inteligência e segurança, 19 não saíram do papel ou foram interrompidos.
Para os deputados, os dados apontam falhas graves na condução da política pública. No pedido de convocação, Nogueira argumenta que a participação direta do Ministério da Justiça no comitê responsável pelo programa reforça a responsabilidade da pasta pelos resultados apresentados.
O relatório do TCU afirma que a ineficiência do programa favoreceu crimes como tráfico de drogas, armas e contrabando, além de contribuir para o fortalecimento de organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Parlamentares avaliam que o cenário não se limita a falhas administrativas, mas indica fragilidades estruturais na política de segurança de fronteiras, com impactos diretos na expansão logística e financeira dessas facções no país.
Entre os principais problemas identificados estão a ausência de coordenação entre órgãos, falhas de governança, planejamento sem força normativa e metas consideradas inadequadas. Também foram apontadas dificuldades na circulação de informações estratégicas e falta de integração com instâncias do governo responsáveis por segurança e defesa.
Criado em 2016, o PPIF é executado em parceria entre o Ministério da Justiça e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), com o objetivo de coordenar ações contra o crime transnacional nas regiões de fronteira.
Diante do cenário descrito pelo TCU, a expectativa é de que a convocação do ministro intensifique a pressão política sobre o governo e amplie o debate sobre a efetividade das políticas de segurança pública em curso.
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