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CPMI do INSS liga “Careca do INSS” a consultoria de fachada com movimentação de R$ 371 milhões

CPMI do INSS liga “Careca do INSS” a consultoria de fachada com movimentação de R$ 371 milhões

Relatório do Coaf aponta pagamento à publicitária Danielle Fonteles e reforça suspeitas de lavagem de dinheiro

Por: Redação

30/01/2026 às 09:01

Imagem de CPMI do INSS liga “Careca do INSS” a consultoria de fachada com movimentação de R$ 371 milhões

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A CPMI do INSS identificou indícios de que o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, está ligado à Spyder Consultoria, empresa com características típicas de firma de fachada e movimentação financeira considerada atípica. Nos seis primeiros meses do ano passado, a Spyder movimentou R$ 371 milhões, uma das maiores cifras já detectadas pela comissão.

Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado à CPMI, a Spyder realizou um pagamento de R$ 200 mil à publicitária Danielle Miranda Fonteles, profissional com histórico de atuação em campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores, incluindo a de Dilma Rousseff em 2010.

Apesar do volume expressivo, a Spyder Consultoria não possui site, não mantém redes sociais e tem como proprietário formal um auxiliar de serviços gerais de 25 anos. Registrada em 13 de dezembro de 2024, a empresa já havia movimentado mais de R$ 16 milhões em janeiro de 2025, segundo dados da Receita Federal do Brasil.

A sede declarada fica em um prédio comercial no Tatuapé, zona leste de São Paulo, com capital social de apenas R$ 120 mil — o equivalente a 0,032% do total movimentado no período analisado. Pelos critérios do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a movimentação classificaria a Spyder como empresa de grande porte, o que contrasta com sua estrutura formal.

A CPMI chegou à Spyder após identificar que a consultoria recebeu recursos da Dinar S/A Participações, empresa apontada como instrumento financeiro do Careca do INSS. A Dinar, por sua vez, recebeu milhões da Arpar, ligada ao empresário, e da Confederação Brasileira dos Trabalhadores de Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade investigada na chamada Farra do INSS.

De acordo com o Coaf, apenas no primeiro semestre de 2025 a Spyder recebeu R$ 185,5 milhões em créditos e realizou R$ 185,8 milhões em débitos, padrão que reforça a suspeita de circulação acelerada de recursos sem lastro operacional.

Procurada, Danielle Fonteles afirmou, em nota, que não conhecia a Spyder e que o pagamento foi ordenado por Antônio Antunes como parte da negociação para a venda de um imóvel em Trancoso, no sul da Bahia. Segundo a defesa, o valor corresponderia a uma parcela parcial da compra; como o comprador perdeu a capacidade de pagamento, o negócio foi desfeito por distrato, com documentação apresentada à CPMI e ao Supremo Tribunal Federal.

Relatórios da Polícia Federal apontam, porém, que Fonteles seria sócia do Careca do INSS na Cannabis World, empresa de cannabis medicinal com operações em Portugal. Mensagens obtidas pela imprensa indicam que a publicitária coordenava a operação no país europeu, reforçando o vínculo entre ambos.

A defesa técnica de Antunes informou que o empresário não comentará o caso. As apurações seguem na CPMI do INSS, que já requisitou a quebra de sigilo da Spyder Consultoria para aprofundar a investigação sobre possível lavagem de dinheiro e uso de empresas interpostas.

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