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Dólar cai e fecha abaixo de R$ 5,50; Ibovespa recua e mercado segue atento à política econômica

Dólar cai e fecha abaixo de R$ 5,50; Ibovespa recua e mercado segue atento à política econômica

Moeda norte-americana atinge menor valor desde outubro; queda do IOF e dados de desemprego ajudam, mas inflação ainda pressiona cenário

Por: Redação

27/06/2025 às 23:30

Cédula de dólar

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O dólar comercial encerrou a sexta-feira (27) cotado a R$ 5,483, com queda de 0,27% no dia e 0,75% na semana. Trata-se da menor cotação desde 4 de outubro de 2024, quando a moeda era negociada a R$ 5,456. Apesar do alívio, o recuo reflete mais fatores externos e incertezas políticas do que uma confiança consolidada na condução econômica do governo.

No cenário doméstico, investidores reagiram à divulgação da taxa de desemprego, que caiu para 6,2% no trimestre encerrado em maio — o menor índice para o período desde o início da série histórica em 2012. O dado positivo, no entanto, não foi suficiente para impulsionar o Ibovespa, que fechou em baixa de 0,18% no dia e também na semana, aos 136.865,79 pontos.

A semana foi marcada ainda por dois acontecimentos de peso: o anúncio do fim do conflito entre Irã e Israel, que reduziu tensões geopolíticas, e a decisão do Congresso de barrar o aumento do IOF — medida que desidratou mais uma vez a tentativa do governo de ampliar a arrecadação, revelando a fragilidade política da equipe econômica no Legislativo.

Outro ponto de atenção foi o IPCA-15, divulgado na quinta-feira (26.jun), que mostrou desaceleração da inflação para 5,27% no acumulado de 12 meses, mas ainda acima da meta estabelecida para 2025 (4,5%). A persistência da inflação elevada, mesmo com desaquecimento do consumo, lança dúvidas sobre a efetividade da política monetária e fiscal do Planalto.

O risco-Brasil também caiu, marcando 152 pontos — contra 167 há um ano. Apesar disso, a oscilação modesta revela que o país ainda patina em credibilidade internacional. Investidores estrangeiros injetaram R$ 4,1 bilhões na B3 em junho até o dia 25, mantendo um saldo positivo de R$ 25,2 bilhões no ano. Mas o entusiasmo esfria ao se considerar o desempenho de IPOs e follow-ons, cujo saldo segue negativo: R$ 25,6 bilhões.

Em meio a avanços pontuais, o mercado segue dividido entre os indicadores que apontam recuperação e a instabilidade institucional que sabota as expectativas. Para analistas, a melhora cambial pode ser mais uma marola passageira do que um sinal de confiança duradoura.

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