Empresário investigado na CPMI do INSS doou R$ 100 mil ao PT em 2022
Fernando Cavalcanti, alvo da Operação Sem Desconto, também destinou recursos ao PP e mantém patrimônio milionário sob investigação
Por: Redação
07/10/2025 às 08:48

Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES
O economista e empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, investigado no escândalo dos descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS, admitiu ter doado R$ 100 mil ao Partido dos Trabalhadores (PT) durante as eleições de 2022.
A revelação foi feita em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS nesta segunda-feira (6.out.2025), em Brasília. Segundo o próprio empresário, ele também fez doação de igual valor ao Partido Progressista (PP), além de contribuir financeiramente com candidatos a prefeito e vereador de diferentes legendas.
“Sou um democrata. Gosto de investir e ajudar não só amigos, mas bons projetos. Fiz isso sem nenhum interesse, zero”, declarou Cavalcanti à comissão.
Doações cruzadas e contexto político
O empresário afirmou que decidiu contribuir tanto com partidos de direita quanto de esquerda em razão da “polarização política” vivida no país durante o pleito de 2022.
“Quis ajudar tanto a direita quanto a esquerda”, justificou.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) confirmou que Cavalcanti fez doações a candidatos do PT, mas destacou que as contribuições foram geridas pelo diretório paulista da legenda. “Tem que verificar com o PT de São Paulo. As doações de campanha parecem estar ligadas a questões locais”, afirmou o parlamentar.
A reportagem procurou as assessorias do PT, PP, PSD e do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) — que também teria recebido um presente do empresário —, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
Patrimônio milionário sob investigação
Durante o depoimento, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), questionou a origem do patrimônio de Cavalcanti, que cresceu de forma exponencial a partir de 2018 — mesmo ano da criação de uma das empresas investigadas pela Operação Sem Desconto.
O empresário declarou receber R$ 51 mil mensais em um grupo empresarial e mais R$ 5 mil em uma Assembleia Legislativa, o que gerou ironia entre os parlamentares. Gaspar afirmou ser “difícil transformar R$ 51 mil em milhões de reais”.
Cavalcanti rebateu dizendo que também tinha participação nos lucros de um escritório de advocacia e em uma empresa de investimentos com capital social de R$ 1 milhão, mas que movimentaria de R$ 3 milhões a R$ 7 milhões por mês
A PF apreendeu oito relógios de luxo — um deles avaliado em R$ 1,3 milhão —, além de vinhos de coleção estimados em R$ 7 milhões e 23 veículos, incluindo uma Ferrari de R$ 4 milhões e duas réplicas de carros de Fórmula 1.
Defesa e contradições
Cavalcanti nega envolvimento em fraudes e rejeita a acusação de atuar como “laranja” de um dos advogados investigados pela CPI. Segundo ele, a retirada de veículos de sua residência antes da operação da PF ocorreu apenas para “evitar danos ao patrimônio”, não para ocultar provas.
“Nunca fui laranja, operador ou beneficiário de qualquer esquema. Tudo o que conquistei foi fruto do meu trabalho”, disse o empresário.
O empresário confirmou ainda ter emprestado R$ 200 mil a um dos investigados e admitiu relações sociais com os principais alvos da CPMI, incluindo almoços e eventos em comum.
Repercussão e impacto político
A revelação das doações ao PT em meio às investigações provocou forte repercussão no Congresso, especialmente entre senadores e deputados da oposição, que enxergam conexões preocupantes entre partidos da base governista e suspeitos de fraudes bilionárias.
“Esse caso precisa ser apurado com rigor. O dinheiro público está sendo desviado, e os mesmos investigados aparecem financiando campanhas políticas”, afirmou um parlamentar da oposição.
Analistas políticos avaliam que o episódio amplia o desgaste do governo Lula e reforça a necessidade de transparência nas relações entre doadores e partidos. A CPMI deve encaminhar, nos próximos dias, pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Cavalcanti, além de exigir documentos das legendas envolvidas.
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