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Empresário investigado por fraudes no INSS tentou transferir R$ 59 milhões para criptomoedas
Empresário investigado por fraudes no INSS tentou transferir R$ 59 milhões para criptomoedas
Pedido feito por Maurício Camisotti ao BTG Pactual levantou suspeita de evasão de divisas e lavagem de dinheiro
Por: Redação
03/10/2025 às 08:27

Foto: INSS/Divulgação
O empresário Maurício Camisotti, alvo da Operação Sem Desconto da Polícia Federal, que apura fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tentou transferir parte de sua fortuna para criptomoedas logo após a deflagração da investigação.
De acordo com documentos enviados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) à CPMI do INSS, em 8 de maio de 2025, apenas 16 dias após a operação da PF, Camisotti procurou o banco BTG Pactual, no Rio de Janeiro, pedindo a conversão de 40% de suas aplicações em criptoativos — o equivalente a cerca de R$ 59 milhões.
Suspeitas de irregularidades
O banco recusou a operação e bloqueou movimentações da conta, alegando que o empresário nunca havia feito investimentos em criptomoedas anteriormente. Além disso, Camisotti teria informado à instituição que gostaria de receber “valores mensais” de uma conta offshore em nome do advogado Nelson Willians, também investigado pela CPMI. Segundo ele, tratava-se de pagamento pela venda de um imóvel nos Estados Unidos, mas a documentação exigida pelo banco nunca foi apresentada.
Em mensagens obtidas pelo Coaf, Camisotti chegou a pedir que uma funcionária do banco apagasse conversas sobre a solicitação dos comprovantes da suposta transação. Insatisfeito com as negativas, ele pressionou por alternativas para realizar as transferências, inclusive sugerindo a abertura de contas em nome de terceiros. O BTG negou novamente.
O caso foi classificado como tentativa de “burla da identificação da origem e do destino dos recursos”, o que reforça indícios de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Empréstimos negados
Não foi o primeiro episódio que levantou suspeitas. Em agosto de 2024, Camisotti tentou obter um empréstimo de R$ 16 milhões no BTG para repassar ao ex-deputado estadual de Santa Catarina, Antônio Luz Neto. A operação foi negada por indícios de irregularidade, já que o crédito seria solicitado em nome de terceiros.
Meses depois, em novembro, o empresário tentou outra linha de crédito, dessa vez de R$ 4,6 milhões, usando como justificativa um contrato com Felipe Pacheco Borges. Novamente, a proposta foi considerada inconsistente e recusada pela instituição.
Impacto das investigações
As informações reforçam o cerco contra empresários e advogados suspeitos de se beneficiarem de fraudes no INSS. A CPMI e a Polícia Federal apontam que, além do desvio direto de recursos de beneficiários, há uma rede de movimentações financeiras suspeitas em offshores, empréstimos fictícios e tentativas de conversão em criptoativos para dificultar o rastreamento do dinheiro.
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