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Esposa de Alexandre de Moraes tinha contrato milionário com o Banco Master, alvo da PF
Esposa de Alexandre de Moraes tinha contrato milionário com o Banco Master, alvo da PF
Acordo previa pagamentos de R$ 3,6 milhões mensais e poderia chegar a R$ 129 milhões; documentos envolvem também filhos do ministro
Por: Redação
09/12/2025 às 09:26

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Documentos apreendidos pela Polícia Federal na operação Compliance Zero revelam que o escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, possuía um contrato milionário com o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, preso na ação.
Segundo a coluna de Lauro Jardim, o acordo previa remuneração mensal de R$ 3,6 milhões por 36 meses, a partir do início de 2024. Caso fosse integralmente executado, o contrato renderia algo em torno de R$ 129 milhões ao escritório. O valor chamou atenção pela dimensão incomum e pelo fato de envolver familiares diretos de um ministro que, meses depois, julgaria questões relacionadas à instituição financeira.
A Polícia Federal apreendeu celulares, documentos e computadores na residência e escritório de Vorcaro, incluindo registros que indicam que o contrato tinha escopo amplo: o escritório de Viviane poderia representar o banco “sempre que fosse necessário”, sem delimitação clara de objeto jurídico específico.
Um dos processos em que Viviane atuou foi uma queixa-crime apresentada em abril de 2024 por Vorcaro e pelo Banco Master contra Vladimir Timerman, investidor da Esh Capital, que mantém uma disputa com o empresário Nelson Tanure, acionista da Gafisa.
A petição acusava Timerman de calúnia por supostamente relacionar Vorcaro a operações fraudulentas entre a Gafisa e o fundo Brazil Realty. O documento jurídico foi assinado por Viviane e outros dez advogados, incluindo dois filhos do ministro Alexandre de Moraes, o que reforça o vínculo profissional da família com o banqueiro agora alvo da PF.
A ação foi rejeitada na primeira instância, mas ainda pode seguir trâmites recursais.
A revelação do contrato aprofunda o desgaste institucional envolvendo o Banco Master, uma vez que:
o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela PF;
o caso se tornou uma das maiores investigações financeiras do ano;
e o contrato milionário atinge diretamente o círculo familiar de um ministro do STF, que possui poder decisório sobre aspectos do processo.
A situação levanta discussões sobre conflito de interesses, transparência e atuação de familiares de autoridades em casos com potencial impacto judicial.
Embora o contrato não seja ilegal por si só, o valor expressivo e a amplitude de atuação contratada reforçam questionamentos sobre influência, imparcialidade e a necessidade de mecanismos mais rígidos de prevenção de riscos éticos no entorno de membros da Suprema Corte.
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