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Estatal paga hotéis e camarão para filhos de presidente indicado por aliada de Lula
Estatal paga hotéis e camarão para filhos de presidente indicado por aliada de Lula
Notas fiscais revelam que viagens e refeições de familiares do chefe do Serviço Geológico do Brasil foram custeadas com verba pública
Por: Redação
07/10/2025 às 08:40

Foto: Reprodução
Notas fiscais obtidas pelo Metrópoles revelam que o Serviço Geológico do Brasil (SGB), estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia, custeou viagens, hospedagens e refeições dos filhos do presidente da empresa, Inácio Cavalcante Melo, em hotéis de Florianópolis (SC) e Maceió (AL). Entre os gastos bancados com dinheiro público, constam camarão flambado, sobremesas e bebidas.
Melo foi indicado ao cargo pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), sua ex-esposa e aliada política do governo Lula (PT). A nomeação foi alvo de críticas dentro do próprio órgão, e servidores chegaram a pedir oficialmente que o governo vetasse a escolha, alegando falta de qualificação técnica e histórico de problemas judiciais.
Viagens e gastos custeados pela estatal
De acordo com os documentos, entre 13 e 16 de janeiro de 2025, Melo e os filhos se hospedaram em uma suíte executiva do BT Florianópolis Hotéis Ltda., com diária de R$ 3.667, totalizando R$ 3.758,68.
Dias depois, em Maceió, uma nova hospedagem no Hotel Brisa Suítes registrou diárias de R$ 4.665, além de despesas extras de R$ 865,70, que incluíam camarão flambado, brownies, hambúrgueres, batata frita, sucos, energéticos e chocolates.
As notas fiscais, emitidas pelas prefeituras das duas capitais, confirmam que as despesas foram pagas com verba da estatal.
Explicação oficial e tentativa de reparo
Em resposta à reportagem, o Serviço Geológico do Brasil admitiu que as notas fiscais foram emitidas em nome de terceira pessoa por “erro administrativo”, mas reconheceu que os valores foram devolvidos aos cofres públicos após a constatação do problema.
Segundo nota enviada via Lei de Acesso à Informação, o órgão afirmou que Melo esteve em “deslocamento institucional” nas cidades de Porto Alegre, Florianópolis e Maceió para cumprir agendas laborais, e reforçou que a empresa “age com probidade e transparência”.
Nomeação sob críticas
A indicação de Inácio Melo enfrentou resistência dentro do SGB. Três entidades representativas de servidores enviaram carta ao governo Lula, apontando que o nomeado não tinha formação técnica em geociências, área fundamental para o comando da instituição. O documento também mencionava antecedentes por crimes ambientais, uso de documentos falsos, sonegação de tributos e agressão à ex-esposa.
Apesar dos alertas, Melo foi mantido no cargo. Em 2021, ele chegou a ter prisão decretada pela Justiça do Maranhão por não pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 560 mil ao filho do primeiro casamento.
Contexto político
A denúncia amplia o desgaste do governo Lula com casos de aparelhamento político de estatais e indicações por apadrinhamento. O episódio ocorre em meio a uma onda de críticas à falta de controle sobre gastos públicos e à volta de práticas de favorecimento pessoal em empresas federais.
Nos bastidores, parlamentares da oposição articulam a convocação de Melo e da senadora Eliziane Gama para prestar esclarecimentos no Congresso Nacional, sob acusação de uso indevido de recursos públicos e tráfico de influência.
“O caso é simbólico do tipo de gestão que o PT voltou a implementar: indicações políticas, benefícios pessoais e falta de responsabilidade com o dinheiro do contribuinte”, disse um senador da base conservadora.
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