EUA avaliam impor restrições à delegação brasileira na Assembleia da ONU
Medida reforçaria isolamento de Lula e amplia desgaste de ministros do STF com Washington
Por: Redação
05/09/2025 às 15:22

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O governo dos Estados Unidos estuda impor restrições de visto a integrantes das delegações do Brasil, Irã, Sudão e Zimbábue durante a Assembleia Geral da ONU, marcada para 22 de setembro, em Nova York. A informação foi revelada pela agência Associated Press (AP) nesta quinta-feira (4), com base em um memorando interno do Departamento de Estado.
As medidas em avaliação podem limitar os deslocamentos das delegações fora da zona da ONU, ampliando o controle sobre diplomatas e autoridades estrangeiras. O Brasil chama a atenção porque sua delegação tradicionalmente abre os discursos no evento. Segundo a AP, ainda não está claro se a restrição atingiria diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou apenas membros de nível inferior.
O possível enquadramento do Brasil reflete a deterioração da relação entre Brasília e Washington. Donald Trump tem feito críticas abertas ao petista, principalmente por causa da perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto Brasil, Irã, Sudão e Zimbábue entraram no radar, o memorando também trouxe uma surpresa: a Síria recebeu dispensa de restrições que vigoravam há mais de uma década, como parte da estratégia de Trump de reaproximação após a queda do ditador Bashar al-Assad.
A questão dos vistos já havia provocado tensão nas últimas semanas. Em julho, os EUA cancelaram os vistos de oito ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, além do procurador-geral Paulo Gonet Branco. Moraes foi ainda alvo da Lei Magnitsky, que pune abusos de direitos humanos e corrupção.
No mês seguinte, o consulado americano em São Paulo comunicou à esposa e à filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que seus vistos haviam sido revogados. O mesmo ocorreu com ex-gestores ligados ao programa Mais Médicos, acusado de exportar trabalho forçado em parceria com Cuba. Informações de bastidores apontam que até o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também teriam sido atingidos.
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