EUA impõem restrições a Padilha e ampliam pressão sobre governo Lula
Ministro da Saúde só poderá circular em áreas limitadas em Nova York; sanções atingem aliados do PT e expõem desgaste diplomático
Por: Redação
18/09/2025 às 22:39

Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), recebeu nesta quinta-feira (18) o visto para acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na viagem a Nova York, entre 20 e 24 de setembro. A autorização, no entanto, veio acompanhada de restrições inéditas: o petista só poderá circular entre o hotel, a sede da ONU e representações oficiais do Brasil, com liberdade limitada a cinco quarteirões ao redor de sua hospedagem.
Padilha era o último da comitiva de Lula a ter a entrada liberada nos EUA — depois do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que também enfrentou atraso para obter o visto. A situação é interpretada como recado político de Washington diante da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), decisão que gerou fortes reações do governo Trump.
O ministro tentou minimizar o constrangimento e ironizou o atraso na liberação do documento, chegando a atacar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP):
“Eu não quero ir para os Estados Unidos. Só fica preocupado com o visto quem quer sair do Brasil, ou quem quer ir para lá fazer lobby de traição da pátria”, disse, em tom de deboche.
A fala não pegou bem, já que o petista, poucos dias depois, dependia justamente da autorização americana para integrar a comitiva presidencial.
A pressão de Washington não se limita a ministros. No mês passado, a esposa e a filha de 10 anos de Padilha tiveram seus vistos cancelados pelo Departamento de Estado. A medida também atingiu servidores ligados ao programa Mais Médicos, implementado no governo Dilma Rousseff, acusado pelos EUA de explorar médicos cubanos em condições análogas à escravidão.
Escalada diplomática
O cancelamento e as restrições de vistos são considerados resposta direta ao tratamento dado pelo STF a Jair Bolsonaro. Condenado a 27 anos de prisão em julgamento conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, o ex-presidente virou símbolo da perseguição política denunciada por conservadores.
Em retaliação, o presidente Donald Trump já condicionou a retirada da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros ao arquivamento dos processos contra Bolsonaro. Além disso, Moraes se tornou alvo pessoal das sanções americanas: está proibido de entrar nos EUA, bem como de manter relações comerciais e financeiras com empresas do país.
A crise escancara o isolamento internacional do governo Lula e mostra que Washington não está disposto a tolerar abusos do STF contra opositores políticos.
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