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Ex-diretor do BC vendeu fazenda à família de Vorcaro investigado por R$ 3 milhões

Ex-diretor do BC vendeu fazenda à família de Vorcaro investigado por R$ 3 milhões

Negócio envolvendo aliado de banqueiro entrou na mira da PF

Por: Redação

06/03/2026 às 10:49

O ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza

Foto: Beto Nociti/BCB

Uma negociação imobiliária envolvendo um ex-diretor do Banco Central e pessoas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passou a integrar as investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.

Segundo informações reveladas pelo jornal Valor Econômico, o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, vendeu uma fazenda de café por R$ 3 milhões a um fundo de investimentos ligado ao cunhado de Vorcaro.

A transação ocorreu em 2021 e passou a ser analisada pelas autoridades após surgirem indícios de que o ex-dirigente atuava como uma espécie de “consultor informal” do Banco Master dentro do próprio Banco Central.

 

Suspeita de pagamento por influência

Investigadores avaliam a possibilidade de que a venda da propriedade tenha funcionado como forma de remuneração indireta por serviços prestados ao banco de Vorcaro. Segundo as apurações, o ex-diretor teria recebido recursos para auxiliar a instituição financeira a contornar mecanismos de fiscalização da autoridade monetária.

O Banco Central identificou a operação financeira e encaminhou os dados à Polícia Federal, o que contribuiu para o aprofundamento da investigação e para a abertura da terceira fase da Operação Compliance Zero.

 

Defesa e afastamento do cargo

Durante a apuração administrativa, Paulo Sérgio reconheceu a venda da fazenda, mas afirmou que não sabia que o fundo comprador tinha ligação com Daniel Vorcaro. O ex-diretor também declarou que conseguiu continuar utilizando a propriedade após a negociação, por meio de arrendamento, aproveitando a valorização do café.

A descoberta do negócio contribuiu para o afastamento de Souza do cargo em janeiro deste ano e embasou medidas cautelares determinadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Entre elas, está a obrigatoriedade do uso de tornozeleira eletrônica, além da proibição de manter contato com outros investigados e de acessar sistemas do Banco Central.

A investigação segue em andamento e busca esclarecer se a transação imobiliária fez parte de um esquema mais amplo de favorecimento ao Banco Master dentro do sistema financeiro.

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