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Ex-diretor do Itaú cobra R$ 15,4 milhões do banco e nega fraude: “Retaliação por proposta do Santander”
Ex-diretor do Itaú cobra R$ 15,4 milhões do banco e nega fraude: “Retaliação por proposta do Santander”
Alexsandro Broedel, acusado pelo Itaú de conflito de interesse, afirma que banco agiu por despeito e que bônus milionários ainda são devidos por serviços prestados
Por: Redação
25/07/2025 às 08:46

Foto: Reprodução
O ex-diretor financeiro do Itaú Unibanco, Alexsandro Broedel, entrou na Justiça para cobrar R$ 15,4 milhões da instituição. O valor seria referente a uma remuneração variável “devida e não paga”, segundo a defesa do executivo. O pedido é parte de uma disputa que opõe Broedel ao banco desde o fim de 2024, marcada por acusações de suposto conflito de interesse e fraude.
No centro da controvérsia está a contratação de uma consultoria ligada a Broedel e ao professor Eliseu Martins, renomado contabilista e docente da FEA-USP. O Itaú acusa o ex-diretor de beneficiar a própria empresa em contratos com o banco, ao mesmo tempo em que aprovava os pagamentos dos serviços prestados. A defesa de Broedel nega e afirma que a ação é motivada por “despeito”, após o executivo comunicar sua ida ao Santander, na Espanha — uma transição que acabou não se concretizando.
Cobrança milionária por bônus
Segundo a defesa, os R$ 15,4 milhões dizem respeito a bônus referentes a períodos em que Broedel efetivamente trabalhou. O executivo argumenta que o banco se nega a pagar parcelas relativas a anos anteriores e proporcionais ao primeiro semestre de 2024. O modelo de remuneração, comum em grandes instituições financeiras, previa 30% em dinheiro e 70% em ações, com liberação diluída ao longo de até três anos.
Broedel sustenta que, ao comunicar seu desligamento em julho de 2024, cumpriu todas as exigências do contrato, incluindo o chamado “garden leave”, período de afastamento obrigatório de 180 dias — do qual, segundo ele, foi dispensado formalmente.
Acusações e contra-ataque
A defesa de Broedel afirma que o Itaú tinha pleno conhecimento da sociedade entre ele e Martins desde 2012, quando fundaram a Broedel Consultores. Alega também que o ex-diretor não tinha poder exclusivo para aprovar pagamentos e que o banco, na verdade, lucrava com as teses fiscais elaboradas pela dupla, o que teria gerado significativa economia tributária para a instituição.
A peça jurídica acusa ainda o Itaú de quebrar o sigilo bancário de Broedel e Martins ao anexar dados financeiros pessoais em documentos públicos do processo. Os advogados também citam uma suposta pressão sobre Eliseu Martins e seus filhos, com envolvimento de medidas judiciais e até interferência no Insper, onde um dos filhos é professor — versão negada pela instituição de ensino.
Resposta do Itaú
Em nota, o Itaú afirma que a ação judicial contra Broedel “é baseada em fatos devidamente comprovados” e refuta qualquer motivação pessoal ou retaliatória. O banco também contesta a alegação de que tinha ciência da sociedade entre Broedel e Martins. Segundo o Itaú, o ex-diretor negou, por meio de formulários de compliance, qualquer vínculo com fornecedores — o que teria sido posteriormente desmentido por Eliseu Martins ao admitir o repasse de 40% dos valores ao próprio Broedel.
“O Itaú reafirma que a ética é um valor inegociável e que não tolera qualquer desvio de conduta, mesmo quando o envolvido já não faz parte do quadro da instituição”, diz o comunicado.
Contexto mais amplo
A disputa acende um alerta para os mecanismos de fiscalização internos em grandes instituições financeiras e levanta questões sobre os limites éticos de relações profissionais no topo da hierarquia bancária. O caso também evidencia como movimentações de executivos de alto escalão entre bancos concorrentes — especialmente entre líderes do setor como Itaú e Santander — podem gerar tensões e litígios de alta complexidade.
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