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Ex-diretora de presídio na Bahia é acusada de facilitar fuga em massa e comandar esquema com facção
Ex-diretora de presídio na Bahia é acusada de facilitar fuga em massa e comandar esquema com facção
Joneuma Silva Neres teria mantido romance com detento, vendido votos para políticos, concedido regalias milionárias e é investigada por homicídio
Por: Redação
07/07/2025 às 12:00

Foto: Reprodução
A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, no sul da Bahia, Joneuma Silva Neres, foi presa em janeiro deste ano sob acusações graves que vão de corrupção e envolvimento com facções criminosas até suspeita de homicídio. Segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), Joneuma teria facilitado a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024 e utilizado seu cargo para beneficiar criminosos e políticos locais.
As investigações revelam um enredo que mistura romance proibido, esquema de compra de votos, festas dentro da prisão e até a entrada de um corpo para ser velado por um dos chefes do crime organizado. A gestora é suspeita de ter recebido R$ 1,5 milhão para facilitar a fuga dos presos.
Romance com detento e regalias escandalosas
Joneuma, que assumiu o cargo em março de 2024, teria se envolvido amorosamente com o detento Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dadá. Funcionários do presídio relataram encontros frequentes entre os dois em salas reservadas, com suspeitas de relações íntimas. Segundo depoimentos, a diretora autorizava o acesso de visitantes sem fiscalização, permitia festas com comida especial — como moquecas de camarão, lasanhas e chesters — e até participação em rodas de capoeira durante o feriado da Consciência Negra, com detentos armados circulando livremente.
Em um episódio que chamou atenção das autoridades, foi autorizado até o ingresso de um caixão com um corpo dentro do presídio, para que um líder do tráfico velasse a avó.
Esquema político e compra de votos
As investigações também apontam que Joneuma atuava como intermediária entre o detento Dadá e políticos baianos. Encontros foram organizados dentro da penitenciária com o ex-deputado federal Uldurico Júnior (MDB), então candidato à prefeitura de Teixeira de Freitas, e com o candidato a vereador Cley da Autoescola (PSD), ambos supostamente beneficiados pelo esquema.
Depoimentos apontam que votos de presos e seus familiares eram negociados por até R$ 100, com o apoio logístico da ex-diretora. O MP-BA afirma que ela chegou a faturar mais de R$ 1 milhão com a intermediação dessas ações políticas.
Investigação por homicídio
Joneuma também é investigada pela morte de um jovem que a chamou de “miliciana” nas redes sociais e teria revelado um esquema de entrada de materiais ilícitos no presídio. A denúncia aponta que o assassinato pode ter ligação direta com o vazamento de informações sobre os privilégios concedidos a criminosos dentro da unidade.
O que diz a Seap
A Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia (Seap) não comentou o caso em detalhes, mas informou que colabora com as investigações. A defesa de Joneuma nega todas as acusações.
O caso expôs uma grave crise na segurança penitenciária do estado e o poder das facções no interior dos presídios. A prisão da ex-diretora lança luz sobre a fragilidade do sistema e os riscos da contaminação política e criminal nas estruturas de comando do sistema prisional.
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