Ex-gerente da Caixa desviou R$ 1,5 milhão do Auxílio Emergencial
Ex-gerente da Caixa é condenado por autorizar saques ilegais em esquema criminoso que lesou o erário e beneficiou terceiros
Por: Redação
23/07/2025 às 22:00

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O Tribunal de Contas da União (TCU) condenou o ex-gerente da Caixa Econômica Federal (CEF), Carlos Sílvio de Freitas Júnior, a devolver mais de R$ 1,5 milhão desviados por meio de fraudes no Auxílio Emergencial. O esquema ocorreu entre agosto de 2020 e março de 2021, em Goiânia (GO), e envolveu saques indevidos de parcelas que variavam entre R$ 600 e R$ 1.200, além de movimentações ilegais em contas poupança social digital.
Ao todo, Carlos Júnior terá que ressarcir R$ 1.564.847,23 à Caixa e pagar uma multa equivalente ao Tesouro Nacional — um total que ultrapassa R$ 3 milhões. Segundo o TCU, ele autorizava de forma massiva os comandos de saque e acesso a dispositivos sem sequer atender os titulares das contas.
“Em síntese, o relatório conclui que Carlos Júnior, ao realizar comandos de ‘Autoriza Saque’ e ‘Autoriza Dispositivo’ em larga escala, viabilizou fraudes em contas digitais destinadas ao Auxílio Emergencial, causando danos à Caixa e ao erário”, afirmou o relator, ministro Benjamin Zymler.
As transações eram realizadas em ritmo incompatível com qualquer atendimento real — quatro autorizações em apenas um minuto — e usavam CPFs em sequência, o que indica que os dados já vinham de listas previamente organizadas.
O cruzamento de informações apontou que 386 dos 520 CPFs utilizados por fraudadores estavam diretamente vinculados a autorizações feitas por Carlos Júnior, o que corresponde a 74,2% das contas suspeitas. Durante sete meses, o ex-gerente realizou mais de 23 mil comandos irregulares entre saques e acessos remotos ao aplicativo Caixa TEM.
A operação Et Caterva, deflagrada em março de 2021 pela Polícia Federal em 12 estados, identificou o esquema, que não se limitou a Goiás. Cerca de 300 policiais federais cumpriram dezenas de mandados contra outros envolvidos. A Caixa informou que Carlos Júnior foi desligado do quadro de funcionários em outubro de 2021.
A gravidade do caso reacende o alerta sobre a fragilidade dos mecanismos de controle em programas sociais de grande escala, como o Auxílio Emergencial, que movimentou bilhões de reais durante a pandemia. A pressa em conceder benefícios e o uso político da assistência estatal abriram brechas para fraudes bilionárias — muitas vezes encobertas por discursos de “urgência social”.
Apesar do estrago financeiro e institucional, a responsabilização de servidores públicos envolvidos ainda avança lentamente, e muitos esquemas semelhantes sequer vieram à tona. Enquanto isso, programas como o Bolsa Família seguem sendo utilizados como ferramenta eleitoral, com pouca transparência e fiscalização limitada.
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