Ex-ministra de Lula recebe salário por seis meses após demissão
Comissão de Ética veta retorno imediato de Cida Gonçalves à antiga consultoria por risco de conflito de interesse
Por: Redação
03/07/2025 às 09:17

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Menos de três meses após ser demitida do Ministério das Mulheres, Cida Gonçalves (PT) continuará a receber o salário de ministra — cerca de R$ 46 mil mensais — até o fim de outubro. A decisão partiu da Comissão de Ética Pública da Presidência (CEP), que determinou um período de "quarentena remunerada" por identificar conflito de interesse no possível retorno da ex-integrante do governo à iniciativa privada.
Cida havia solicitado à comissão autorização para voltar a atuar na Xaraés Consultoria e Projetos, empresa da qual foi sócia até assumir o cargo no governo Lula. A consultoria, especializada em projetos ligados a políticas públicas para mulheres, gênero e etnia, disputa licitações com o poder público — o que acendeu o sinal de alerta na CEP.
"Apesar de ser uma empresa de cunho social, ela é privada e corre o risco de informações que eu tinha [como ministra] serem usadas em licitações", disse Cida à imprensa. Segundo ela, a decisão de respeitar o prazo de afastamento foi motivada pela própria preocupação ética. “Eles me garantiram a quarentena. Até o final de outubro, eu não volto para a Xaraés”, afirmou.
A ex-ministra também relatou que está tentando “refazer a vida” em Campo Grande (MS), onde voltou a morar desde que deixou o governo. De acordo com ela, a Xaraés manteve atuação no setor privado durante o período em que esteve no ministério.
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