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Ex-presidente dos Correios garante seis meses de salário após pedir demissão e aceitar quarentena

Ex-presidente dos Correios garante seis meses de salário após pedir demissão e aceitar quarentena

Fabiano Silva dos Santos deixará a estatal com remuneração integral durante quarentena ética, após comunicar intenção de trabalhar no escritório ligado ao Prerrogativas

Por: Redação

27/11/2025 às 07:45

Imagem de Ex-presidente dos Correios garante seis meses de salário após pedir demissão e aceitar quarentena

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, deixará o comando da estatal com direito a seis meses de salário integral, após a Comissão de Ética Pública da Presidência da República aprovar sua quarentena remunerada. A medida foi autorizada depois de Fabiano informar ter recebido proposta para atuar no escritório CM Advogados, pertencente ao advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e nome influente na base do governo.

A Comissão entendeu que a transição do ex-presidente da estatal para o setor privado criaria potencial conflito de interesse, determinando que ele fique impedido de exercer atividades profissionais na área durante o período. Como ocupante do cargo mais alto dos Correios, Fabiano recebia R$ 53.286,39 por mês — valor que se manterá pelos próximos seis meses, totalizando R$ 319.718,34 em remuneração paga pelos cofres públicos.

Segundo a defesa, Fabiano foi convidado a atuar como consultor em temas relacionados a logística, infraestrutura, assuntos postais e imobiliários dentro do escritório CM Advogados. A equipe jurídica argumenta que a mudança é regular e que não há qualquer violação ética, afirmando ainda que o ex-presidente deixou todas as funções executivas da estatal em maio de 2024.

Em nota, seus advogados disseram ter “plena confiança” de que a apuração confirmará que as operações investigadas ou analisadas atualmente pelos Correios são posteriores ao desligamento de Fabiano e, portanto, sem relação com sua gestão.

A defesa ressalta ainda que todas as atividades exercidas por ele, inclusive a própria saída, foram autorizadas pelo Banco Central, o que demonstraria sua competência legal e capacidade para atuar na iniciativa privada.

A decisão ocorre no momento mais delicado das finanças dos Correios. A estatal encerrou 2024 com um prejuízo de R$ 2,6 bilhões, quatro vezes maior que o registrado no ano anterior, e entrou em 2025 com rombo crescente e pressão interna por contenção de gastos, venda de imóveis e reestruturação de pessoal.

A saída de Fabiano, portanto, coincide com o agravamento da crise financeira da instituição, que enfrenta dificuldades estruturais e perda de competitividade. Mesmo assim, o ex-presidente deixará o cargo com remuneração integral por mais seis meses, reacendendo críticas sobre privilégios e falta de austeridade no setor público.

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