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Galípolo se reúne com diplomata dos EUA em meio a tensão causada pela Lei Magnitsky
Galípolo se reúne com diplomata dos EUA em meio a tensão causada pela Lei Magnitsky
Encontro ocorre após sanções do governo Trump contra autoridades brasileiras e acende alerta sobre impactos regulatórios envolvendo cartões internacionais
Por: Redação
28/11/2025 às 10:05

Foto: FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, se encontrou nesta quarta-feira (26) com o encarregado de negócios e embaixador interino dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, em Brasília, em um momento de forte sensibilidade diplomática provocado pela aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal. O BC classificou a reunião como dedicada a “assuntos institucionais”, mas a presença de representantes do Tesouro americano e do assessor econômico da embaixada reforça que o encontro vai além da agenda protocolar.
Do lado norte-americano participaram Norman Galimba, assessor econômico, e Adam Goldsmith, representante do Departamento do Tesouro — órgão que supervisiona boa parte das sanções globais dos Estados Unidos. Pelo Banco Central, além de Galípolo, estiveram presentes o diretor de Regulação, Gilneu Vivan, e a diretora de Cidadania, Izabela Moreira Corrêa, ambos responsáveis por áreas sensíveis da supervisão financeira.
A reunião ocorre meses depois de o presidente Donald Trump ter aplicado a Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes e à esposa dele, Viviane Barci, sob a justificativa de que suas ações atentariam contra a democracia. A sanção resultou no bloqueio imediato de cartões de crédito emitidos por bandeiras internacionais como Visa e Mastercard — medida possível porque o sistema global dessas empresas passa por regulações norte-americanas.
O episódio colocou o Brasil em um cenário de tensão diplomática, uma vez que o Banco Central é responsável justamente por supervisionar as instituições que emitem e processam cartões no país. A presença de Galípolo com representantes dos EUA sugere que os desdobramentos das sanções e seus impactos no sistema financeiro brasileiro estiveram no radar do encontro.
Nos Estados Unidos, a Lei Magnitsky é tradicionalmente usada contra agentes acusados de reprimir denúncias de corrupção, violar liberdades civis e interferir em eleições democráticas. A aplicação da sanção ao ministro Moraes veio pouco depois do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF, o que ampliou a repercussão internacional e elevou a pressão sobre autoridades brasileiras.
A reunião desta quarta-feira, apesar de descrita como institucional, marca mais um capítulo na crescente interlocução entre Washington e Brasília em torno das sanções e de possíveis efeitos sobre o sistema regulatório nacional — especialmente no setor de meios de pagamento.
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