Gleisi minimiza ausências, exalta Lula e agradece ao Congresso
Ausência dos chefes do Congresso escancara crise política, enquanto Planalto insiste em narrativa de “harmonia”
Por: Redação
26/11/2025 às 14:03
A cerimônia de sanção da nova faixa de isenção do Imposto de Renda, realizada nesta quarta-feira (26), expôs ainda mais a fragilidade da articulação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar dos esforços do Planalto para transmitir uma imagem de união, a ausência dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), dominou a leitura pública e política do evento.
Durante a cerimônia, a ministra Gleisi Hoffmann adotou tom defensivo, agradecendo publicamente a Motta e Alcolumbre pela condução da proposta, embora nenhum dos dois estivesse ali para receber o reconhecimento. Segundo Gleisi, “nenhuma ausência ofusca o apoio” dado pelos presidentes das Casas Legislativas.
O discurso, porém, soou mais como tentativa de controlar danos do que como mensagem genuína de unidade. Nos bastidores, aliados admitem que a relação com ambos azedou e que a ausência simultânea foi interpretada como demonstração explícita de desgaste político.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, engrossou a estratégia conciliatória. Agradeceu nominalmente os dois presidentes e insistiu que a aprovação unânime nas duas Casas foi um “marco de justiça fiscal”.
Entretanto, a fala contrasta com a realidade política recente: rompimento público entre Hugo Motta e Lindbergh Farias (PT-RJ), afastamento de Alcolumbre após Lula insistir na indicação de Jorge Messias ao STF e articulações explícitas de retaliação no Senado.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, relator do projeto na Casa, fez questão de destacar os “493 votos favoráveis” como prova da grandeza política da medida. Já o senador Renan Calheiros, relator no Senado, adotou discurso agressivo, acusando críticos da proposta de “terrorismo dos privilegiados”.
Mas, apesar da presença dos caciques aliados, o esvaziamento dos dois principais dirigentes do Congresso deixou claro que o governo perdeu, neste episódio, mais do que ganhou.
A nova lei beneficia cerca de 15 milhões de brasileiros e representa uma bandeira eleitoral forte para 2026. Porém, a nova faixa de isenção — para quem ganha até R$ 5 mil — virá acompanhada de uma compensação bilionária: R$ 25,4 bilhões em renúncia fiscal, parcialmente cobertos com alíquota mínima para quem ganha acima de R$ 600 mil anuais.
Nos corredores do Congresso, parlamentares comentam que a instabilidade na relação com Motta e Alcolumbre deve dificultar os próximos passos do governo: Orçamento de 2026, PEC da Segurança Pública, tributação das “bets” e até a sabatina de Jorge Messias no Senado.
No encerramento do evento, Gleisi afirmou que “o dia de hoje mostra que é possível criar caminhos juntos para o bem do Brasil”. Entretanto, a falta dos presidentes do Senado e da Câmara sinaliza justamente o contrário: o governo enfrenta seu momento mais delicado na relação com o Legislativo, e a tensão deve aumentar nos próximos meses.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil
Assine nossa news letter
Receba as principais notícias do dia direto no seu e-mail.




