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Governo admite rombo e busca tapar buraco de R$ 15 bi com cortes e aumento de imposto
Governo admite rombo e busca tapar buraco de R$ 15 bi com cortes e aumento de imposto
Derrotado no Congresso, Haddad defende plano para compensar IOF e diz que “sem isso, programas sociais podem sofrer”
Por: Redação
01/07/2025 às 10:02

Foto: José Cruz/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (1º) que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá que cortar pelo menos R$ 15 bilhões em benefícios tributários para tentar equilibrar as contas de 2025 e 2026. A declaração vem dias após a maior derrota do Planalto no Congresso em seu terceiro mandato: a revogação do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), rejeitado por ampla maioria na Câmara e no Senado.
Na tentativa de conter os danos, Haddad agora aposta em cortes em incentivos fiscais e em uma nova articulação política para não comprometer o Orçamento e, segundo ele, evitar impactos em programas sociais. “[O corte] vai dar conforto para o Brasil executar seu orçamento sem prejudicar políticas públicas importantes”, declarou em entrevista.
A derrota da equipe econômica no caso do IOF — com 383 votos contrários ao aumento só na Câmara — escancarou a fragilidade da base governista e o isolamento político do ministro da Fazenda. A proposta caiu mesmo com o discurso de que a medida era necessária para manter políticas sociais, e gerou atrito direto com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Apesar de dizer que tem uma “boa relação” com Motta, Haddad admitiu que não conseguiu retomar o diálogo com o parlamentar desde a derrota. “Não recebi nenhuma explicação para o que aconteceu”, afirmou. Ainda assim, negou que haja ruptura: “Falar em traição não faz parte do meu relacionamento com nenhum parlamentar”.
O governo já cogita judicializar o caso e recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que a derrubada do decreto pelo Congresso fere prerrogativas do Executivo. Segundo Haddad, Lula agirá caso a Advocacia-Geral da União entenda que houve invasão de competência. “É quase que um dever funcional”, disse.
Haddad também confirmou que a expectativa inicial era arrecadar até R$ 40 bilhões com a proposta original, mas recuou após pressão de líderes partidários para manter benefícios constitucionais. Agora, tenta tapar parte do rombo com um corte mais modesto, em torno de R$ 15 bilhões.
Na retórica, o ministro voltou a defender que os ricos precisam contribuir mais. “Tem 140 mil pessoas que não pagam imposto e deveriam estar pagando. [...] Estamos falando de no mínimo 10%. Em países desenvolvidos, essa alíquota chega a 40% ou 50%”, argumentou.
Mas, enquanto o governo repete o discurso de justiça social, falta articulação para sustentar qualquer avanço real na reforma tributária ampla — e sobra improviso em medidas pontuais que não resistem à pressão política. Ao fim, o impasse entre Planalto e Congresso mais uma vez ameaça cair no colo do Judiciário, enquanto o país assiste a mais um capítulo da guerra fiscal disfarçada de planejamento.
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