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Governo Lula mantém sob sigilo R$ 55 milhões em gastos com cartão corporativo

Governo Lula mantém sob sigilo R$ 55 milhões em gastos com cartão corporativo

Governo tem 120 dias para adotar medidas

Por: Redação

17/07/2025 às 07:01

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Um relatório divulgado nesta terça-feira (16) pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revela que mais de 99% dos gastos realizados com cartão corporativo pela Presidência da República desde o início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram classificados como sigilosos. O órgão considera o montante elevado e cobrou do governo medidas concretas para aumentar a transparência.

Entre janeiro de 2023 e abril de 2025, a Presidência registrou R$ 55,5 milhões em despesas com cartão. Deste total, cerca de R$ 55,2 milhões (99,5%) foram mantidos em sigilo. No mesmo período, o Gabinete da Vice-Presidência, ocupado por Geraldo Alckmin (PSB), gastou R$ 393,9 mil, dos quais R$ 362,2 mil também foram classificados como confidenciais.

Apesar de a prática de sigilo não ser nova, o TCU aponta que os percentuais atuais superam os de governos anteriores e não se justificam em sua totalidade. A corte afirma que “não foram tomadas medidas concretas para corrigir o problema” e deu prazo de 120 dias para que a Presidência e a Vice-Presidência apresentem soluções efetivas.

Além da falta de transparência, o tribunal destaca que, mesmo entre os gastos divulgados, faltam informações básicas, como descrição do item adquirido, nome do fornecedor e notas fiscais — dificultando qualquer controle público efetivo.

 

Prática se intensificou sob Lula
Embora o uso de sigilo nos cartões corporativos remonte a governos anteriores, o TCU mostra que os percentuais cresceram expressivamente a partir de 2023. Para comparação, entre 2015 e 2018, sob Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), a média de sigilo oscilava entre 64% e 79%. Atualmente, o percentual ultrapassa 99%.

Em 2023, o primeiro ano completo da atual gestão, R$ 25,7 milhões foram gastos via cartão corporativo, dos quais 99,6% foram classificados como sigilosos. Já em 2024, as despesas chegaram a R$ 15,1 milhões, com 99,28% também mantidos em confidencialidade.

 

Transparência em xeque
No relatório, o TCU é taxativo ao afirmar que “há um largo histórico de ciências, recomendações e determinações já feitas, refeitas e reiteradas” ao longo dos anos, sem que tenham surtido efeito. O tribunal ressalta que os dados são divulgados apenas com o valor e a data, sem identificar quem realizou a despesa nem o que foi comprado.

Com a decisão do TCU, o governo Lula terá que se posicionar de forma mais clara sobre o uso dos cartões corporativos — e explicar por que mantém em segredo quase a totalidade das despesas, ao contrário de suas promessas de campanha centradas em transparência e responsabilidade fiscal.

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