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Governo quer criar Universidade Federal do Esporte com dinheiro de apostas online
Governo quer criar Universidade Federal do Esporte com dinheiro de apostas online
Projeto prevê que parte da instituição seja financiada por bets, amplia estrutura federal e reforça agenda ideológica do governo Lula no esporte
Por: Redação
08/12/2025 às 12:52

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
O governo Lula enviou ao Congresso o projeto de lei que cria a Universidade Federal do Esporte, uma nova instituição pública cuja receita poderá vir, entre outras fontes, de apostas virtuais e plataformas de bets — recurso repassado pelo Ministério do Esporte. A proposta também inclui verbas orçamentárias, convênios e receitas de serviços, ampliando ainda mais a rede de universidades federais em um momento de forte pressão fiscal.
O Palácio do Planalto apresenta a iniciativa como parte do “legado” da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será realizada no Brasil. A justificativa oficial argumenta que o país precisa de formação acadêmica voltada ao esporte, especialmente ao futebol feminino — discurso alinhado à agenda identitária que o governo tem impulsionado em diversas áreas.
O texto encaminhado ao Congresso afirma que o futebol feminino no Brasil é “predominantemente amador”, destacando que apenas 19,2% das atletas possuem vínculo profissional e apenas 1,2% têm contrato de formação. O documento também enfatiza questões de gênero e raça: segundo o governo, 45% dos trabalhadores do futebol feminino são homens, e 41% das pessoas negras e 31% das indígenas relatam experiências de discriminação.
Em outro ponto, o projeto diz que, embora 57% dos jogadores da elite do futebol brasileiro sejam pretos ou pardos, nenhum treinador negro comandava um clube da Série A em 2023 — argumento usado para reforçar a narrativa de que o esporte brasileiro refletiria desigualdades estruturais.
A sede da nova universidade será em Brasília, com previsão de inauguração em 2027. Inicialmente, serão oferecidos cinco cursos de graduação e cinco pós-graduações lato sensu, com planos de expansão para 11 graduações em até quatro anos, totalizando capacidade para cerca de 3 mil alunos.
O governo afirma que não haverá aumento imediato de despesas de pessoal, alegando que a expansão dependerá de dotação específica no Orçamento Geral da União — promessa recorrente em projetos de novas instituições, mas vista com desconfiança por economistas devido ao impacto inevitável de médio prazo.
A utilização de recursos provenientes de apostas online acende o alerta de especialistas e parlamentares da oposição, que veem no projeto uma dependência arriscada de receitas voláteis e uma tentativa de ampliar o Estado sem planejamento fiscal claro. Além disso, o caráter fortemente ideológico do texto reforça críticas de que o governo estaria instrumentalizando o setor esportivo para agendas políticas e identitárias.
O projeto deve enfrentar resistência no Congresso, especialmente de parlamentares que defendem responsabilidade fiscal e questionam a real prioridade de criar uma nova universidade federal num país que enfrenta déficit primário, crise educacional e alto endividamento público.
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