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Governo trava emendas e colhe derrota no Congresso: 347 parlamentares ficaram sem repasses
Governo trava emendas e colhe derrota no Congresso: 347 parlamentares ficaram sem repasses
Com crise na articulação política, Lula perde apoio até de aliados enquanto emendas seguem emperradas no Orçamento
Por: Redação
30/06/2025 às 09:40

Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Às vésperas da derrota no Congresso com a derrubada do decreto que aumentava o IOF, o governo Lula viu sua base ruir diante de um problema recorrente: a retenção de emendas parlamentares. Levantamento do Estadão mostra que, até o dia 24 de junho, o Palácio do Planalto não havia liberado nenhum valor para 347 congressistas — 303 deputados e 44 senadores.
Entre os prejudicados estão não só membros da oposição, mas também figuras centrais da base aliada, como os senadores petistas Jaques Wagner (BA) e Lindbergh Farias (RJ). Do próprio PT, 48 parlamentares ficaram sem repasses. A insatisfação atinge especialmente partidos do Centrão, onde 165 congressistas seguem sem receber um centavo em emendas.
Mesmo com o salto nos empenhos, que foram de R$ 896 milhões para R$ 1,7 bilhão em um único dia, os pagamentos efetivos continuam estagnados: apenas R$ 409 milhões foram liberados até agora — um valor irrisório diante das expectativas dos parlamentares.
A justificativa da Secretaria de Relações Institucionais aponta para a Lei Complementar 210/2024 e o atraso na sanção do Orçamento como causas. Mas para a cúpula do Congresso, o problema é político: um governo que cobra apoio, mas não entrega o básico da engrenagem legislativa.
Parlamentares como Cláudio Cajado (PP-BA) e Wellington Roberto (PL-PB) votaram contra o governo mesmo tendo suas emendas empenhadas. Por outro lado, 55 deputados apoiaram o Planalto sem receber — a maioria, da esquerda. No Centrão, só Hugo Leal (PSD-RJ) e Elcione Barbalho (MDB-PA) mantiveram o apoio nessas condições.
A leitura é clara: sem emendas, não há sustentação. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) classificou o atraso como “descaso institucional”. Mário Heringer (PDT-MG) associou o desmonte à saída de Carlos Lupi da Previdência. E Gilberto Abramo (Republicanos-MG) resumiu: “a derrota do governo era previsível”.
Enquanto o Planalto insiste em jogar com prazos e burocracias, o Congresso responde no voto — e com contundência. A crise expõe, mais uma vez, a fragilidade da articulação política do governo Lula em seu terceiro mandato.
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