Haddad corta gastos da Fazenda, mas mantém passagens em classe executiva
Portaria publicada no Diário Oficial suspende eventos, contratações e treinamentos até o fim de 2025, mas mantém privilégios para o alto escalão
Por: Redação
07/07/2025 às 09:45

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em meio às dificuldades do governo federal para equilibrar as contas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, editou uma portaria que impõe corte de gastos no âmbito da pasta até o final de 2025. A medida, publicada nesta segunda-feira (7) no Diário Oficial da União, suspende contratações, eventos, obras e outras despesas, mas mantém o uso de passagens aéreas em classe executiva para o próprio ministro.
O texto, que trata de “medidas de racionalização de gastos e redução de despesas”, não especifica a meta de economia, mas evidencia o clima de ajuste fiscal após a derrota do governo no Congresso, que derrubou o decreto do Executivo que previa reajuste das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A medida era uma das apostas de Haddad para elevar a arrecadação ainda em 2025.
A lista de cortes inclui:
- Suspensão de eventos institucionais;
- Fim de contratações de estagiários e terceirizados;
- Proibição de compras de mobiliário e assinaturas de agências de notícias;
- Paralisação de obras, serviços de engenharia e treinamentos de servidores;
- Proibição de ativação de novos postos de telefonia móvel.
No entanto, a portaria mantém a autorização para gastos com passagens aéreas em classe executiva para autoridades do ministério, entre elas o próprio Haddad — um detalhe que gerou críticas por contrariar o discurso de austeridade da pasta.
A medida ocorre poucos dias depois de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspender os efeitos do decreto do governo e da decisão do Congresso sobre o IOF. A Corte marcou uma audiência de conciliação para o dia 15 de julho, na tentativa de encontrar uma solução política para o impasse fiscal.
A contradição entre o corte de gastos e o privilégio mantido para viagens reforça a pressão sobre Haddad, que enfrenta resistência tanto dentro do Congresso quanto no mercado, e que agora precisa encontrar alternativas para cumprir a meta de déficit zero prometida pelo presidente Lula.
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