Hugo Motta rompe com Sóstenes, e PL minimiza tensão como “problemas normais”
Ruptura ocorre após disputa no PL Antifacção; líder bolsonarista tenta conter desgaste enquanto presidente da Câmara amplia isolamento de aliados do governo
Por: Redação
25/11/2025 às 17:55

Foto: Agência Brasil
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu romper relações com o líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), aprofundando o clima de instabilidade no Congresso. A ruptura foi comunicada por Motta via WhatsApp.
Sóstenes, contudo, tentou minimizar a gravidade da situação ao classificar o episódio como “problemas normais de trabalho”, apesar de admitir que Motta não responde às suas mensagens “há dias”.
O conflito explodiu depois que Motta vetou dois destaques apresentados por Sóstenes ao Projeto de Lei Antifacção (PL 5.582/2025) — proposta vista pela direita como essencial no combate ao crime organizado e às facções, e cuja tramitação sofreu forte pressão do governo Lula.
Os destaques rejeitados (nº 19 e 29) buscavam endurecer a Lei Antiterrorismo e equiparar facções criminosas a organizações terroristas, ponto criticado pela esquerda, mas defendido pela base bolsonarista.
Motta se irritou com as críticas públicas de Sóstenes ao relatório final do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) — policial militar e uma das vozes mais duras contra o crime organizado no Congresso.
A crise não se limita ao PL. O documento lembra que Motta também anunciou rompimento com o líder do PT, Lindbergh Farias, afirmando:
“Não tenho mais interesse em ter nenhum tipo de relação com Lindbergh.”
Lindbergh respondeu nas redes sociais com ataques, reclamando que “a política não é clube de amigos” e acusando Motta de atuar “na surdina”.
O gesto é visto como ponto de ruptura entre a Câmara e o Planalto, em meio ao desgaste causado pelo PL Antifacção e pela crise do Senado após Lula forçar a indicação de Jorge Messias ao STF.
Apesar da tensão, Sóstenes afirmou que ainda pretende conversar com Motta sobre a tramitação do Projeto da Anistia, que concede perdão a apoiadores de Bolsonaro investigados pelo 8 de Janeiro — tema prioritário para a bancada de direita (pág. 3).
A articulação, porém, fica mais difícil num ambiente em que a Câmara se distancia abertamente do governo federal e passa a operar de maneira autônoma.
O episódio evidencia o desgaste crescente do governo Lula no Congresso:
rompimento de Motta com Sóstenes;
rompimento de Motta com Lindbergh;
crise no Senado entre Lula e Alcolumbre;
oposição firme contra Messias no STF.
O Legislativo, pressionado pelas bases conservadoras, adota postura cada vez menos alinhada ao Planalto.
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