Hugo Motta usa voos da FAB para encontros com banqueiros e jantares
Hugo Motta participou de agendas em São Paulo, Nova York e Lisboa acompanhado por comitivas de até 12 pessoas; uso de aeronaves oficiais levanta debate sobre critérios de deslocamento
Por: Redação
29/07/2025 às 09:42

Foto: Lula Marques/Agencia Brasil
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) pelo menos sete vezes no primeiro semestre de 2025 para cumprir agendas com representantes do mercado financeiro e participar de eventos nacionais e internacionais. Os dados foram obtidos pelo portal UOL junto à própria FAB.
As viagens ocorreram entre abril e julho, tendo como principais destinos São Paulo, Nova York e Lisboa. Em solo brasileiro, Motta se reuniu com lideranças do setor financeiro, participou de eventos promovidos por veículos de imprensa e frequentou encontros organizados por instituições privadas, como o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) e o grupo Lide, de João Doria.
Entre os compromissos listados, destaca-se o dia 19 de maio, quando o deputado participou de reuniões com CEOs de bancos associados à Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), membros da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) e líderes do varejo. No mesmo dia, esteve presente em um jantar fechado com empresários na residência de Doria, ex-governador de São Paulo.
Fora do país, Motta usou aeronaves da FAB para participar de um encontro empresarial em Nova York e, em julho, do Fórum Jurídico de Lisboa — apelidado nos bastidores políticos de “Gilmarpalooza”, em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, organizador do evento.
Durante as viagens, o presidente da Câmara foi acompanhado por comitivas de até 12 pessoas. A FAB, no entanto, não divulgou a identidade dos acompanhantes, fornecendo apenas dados logísticos como os trajetos, horários de decolagem e pouso.
Embora parlamentares e ministros tenham direito a utilizar aeronaves da Força Aérea para compromissos oficiais, o uso frequente para eventos com o setor privado e fóruns internacionais sem caráter claramente institucional reacende discussões sobre a finalidade dos voos e os critérios de autorização.
A legislação permite o uso de aviões da FAB por autoridades em deslocamentos com “motivação de segurança” ou em “compromissos de interesse público”. Críticos da prática argumentam que, em muitos casos, o benefício acaba sendo usado de forma extensiva e sem transparência.
A Câmara dos Deputados ainda não se manifestou oficialmente sobre os objetivos específicos das viagens ou sobre os critérios que justificaram o uso da estrutura pública para os deslocamentos.
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