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Indicação de Jorge Messias expõe crise de credibilidade entre Planalto, Senado e STF

Indicação de Jorge Messias expõe crise de credibilidade entre Planalto, Senado e STF

Escolha de Lula provoca reação de Alcolumbre, articulação incomum dentro do Supremo e intensifica a percepção de que o processo virou moeda política

Por: Redação

30/11/2025 às 19:38

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal escancarou, mais uma vez, o desgaste institucional que domina Brasília. A decisão de Lula — longe de surpreender — foi guiada por conveniência pessoal e pela busca de um ministro absolutamente alinhado ao Palácio do Planalto. O presidente, segundo aliados, “não quis correr riscos” ao escolher alguém que pudesse contrariá-lo em temas sensíveis. O movimento não apenas reforça a intenção de blindagem política como revive o incômodo histórico de Lula com ministros por ele e Dilma indicados no passado que, na Lava Jato, não corresponderam às expectativas petistas.

Mas a crise está longe de se limitar ao Planalto. No Senado, Davi Alcolumbre transformou a insatisfação com Lula em uma retaliação aberta. Depois de ver fracassar sua articulação para emplacar Rodrigo Pacheco no STF, o presidente do Senado reagiu com uma pauta que ameaça as contas públicas e pressiona o governo justamente no momento mais delicado da articulação. Além disso, trabalha ativamente para que Messias não seja aprovado, marcando a sabatina para 10 de dezembro — prazo considerado curto demais para que o indicado consiga construir apoio. Nos bastidores, aliados dizem que Alcolumbre pretende “dar o troco”.

Lula, por sua vez, cogita adiar a sabatina, alegando que o Planalto ainda não enviou ao Senado a comunicação oficial da indicação. O gesto é visto por parlamentares como mais uma etapa na disputa de força entre Executivo e Legislativo. No fim das contas, o preço político — e fiscal — da indicação só aumenta, e quem paga a conta é o contribuinte.

No Supremo, o cenário não é menos peculiar. Ministros passaram a fazer campanha aberta por seus favoritos, como se a Corte funcionasse como um bloco político organizado. Nomes são lançados, apoiados e descartados como se o processo fosse um jogo corporativo interno. Pacheco, antes considerado “o candidato do tribunal”, perdeu apoio; já Messias ganhou entusiasmo explícito de André Mendonça e Kassio Nunes Marques — dois ministros nomeados por Jair Bolsonaro, que agora atuam para convencer senadores a aprová-lo.

A situação beira o surreal: enquanto bolsonaristas no Congresso estimulam Alcolumbre a impor uma derrota histórica ao governo, ministros alinhados ao ex-presidente fazem corpo a corpo por um indicado de Lula. O próprio Mendonça chegou a ser sorteado como relator da ação que acusa Messias de prevaricação no caso das fraudes do INSS — episódio que, por pouco, não resultou em uma crise de suspeição dentro da Corte.

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