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Itamaraty justifica sigilo em telegramas com os EUA que citam a JBS e alerta para impacto diplomático
Itamaraty justifica sigilo em telegramas com os EUA que citam a JBS e alerta para impacto diplomático
Ministério afirma à Câmara que divulgação de mensagens poderia prejudicar negociações comerciais com Washington; documentos mencionam JBS sem foco específico, diz pasta
Por: Redação
15/01/2026 às 13:26

Foto: MICHAEL MELO/METRÓPOLES
O Ministério das Relações Exteriores informou à Câmara dos Deputados que impôs sigilo a telegramas diplomáticos trocados com os Estados Unidos entre 14 e 31 de julho do ano passado por avaliar que a divulgação poderia causar prejuízos às relações bilaterais, especialmente no contexto das negociações comerciais em curso entre os dois países. As mensagens citam a JBS, controlada pelos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista.
A explicação foi encaminhada à Câmara na sexta-feira (9), em resposta a um requerimento de informação apresentado pelo deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), que questionou o conteúdo e a classificação de sigilo aplicada a dois telegramas diplomáticos que mencionavam a empresa.
Segundo o Itamaraty, a medida atende aos critérios legais de proteção de informações sensíveis e leva em conta o estágio atual do diálogo econômico com Washington. “No caso dos Estados Unidos, encontram-se em curso negociações relativas a temas comerciais, circunstância que enseja cuidado ainda maior no manejo de informações sensíveis”, afirmou o ministério no documento enviado ao Legislativo.
A pasta esclareceu que a JBS é citada ao lado de outras empresas brasileiras, “sem qualquer foco particular”, e que os telegramas não tratam de interesses específicos do grupo empresarial. De acordo com a resposta oficial, um dos documentos reúne dados sobre investimentos de empresas brasileiras nos Estados Unidos, enquanto o outro aborda a visita a Washington da Comissão Temporária Externa sobre as Relações Econômicas com os Estados Unidos (CTEUA), do Senado Federal.
“O conteúdo limita-se a avaliar impactos, estratégias e cenários relacionados à pauta econômico-comercial entre os dois países”, afirmou o Itamaraty, reforçando que a classificação de sigilo busca preservar a posição negociadora do Brasil.
A explicação do ministério ocorre em meio à atenção renovada sobre a atuação internacional de Joesley Batista. Em setembro, o empresário esteve nos Estados Unidos para dialogar com o presidente Donald Trump sobre a taxação da carne brasileira no mercado americano.
Mais recentemente, como revelado pela imprensa, Joesley também realizou uma viagem a Caracas, onde se reuniu com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, após a prisão de Nicolás Maduro. Em seguida, retornou aos Estados Unidos para relatar ao governo Trump sua avaliação sobre o cenário político venezuelano, descrito por interlocutores como de estabilidade momentânea.
Procurada, a J&F afirmou que Joesley Batista “não é representante de qualquer governo”, reiterando que suas agendas no exterior têm caráter empresarial.
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