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Janja acusa Zezé de misoginia após cantor criticar aproximação do SBT com Lula e STF
Janja acusa Zezé de misoginia após cantor criticar aproximação do SBT com Lula e STF
Primeira-dama reage a críticas do sertanejo e tenta deslocar debate político para discurso identitário, enquanto polêmica expõe alinhamento da emissora ao governo
Por: Redação
15/12/2025 às 13:32

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, entrou nesta segunda-feira (15) na polêmica envolvendo o cantor Zezé Di Camargo e o SBT, após o artista romper publicamente com a emissora por conta da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no lançamento do SBT News.
Em publicações nos stories de seu perfil no Instagram, Janja acusou o cantor de machismo e misoginia, ao reagir às declarações em que Zezé afirmou que as filhas de Silvio Santos estariam “se prostituindo” ao mudar a linha editorial da emissora e abrir espaço para autoridades do atual governo.
“Falar que as filhas de Silvio Santos estão se ‘prostituindo’ ao convidar e dar voz ao presidente e demais autoridades no evento do SBT News reflete todo o machismo e a misoginia presentes no pensamento e nas ações de homens que seguem desrespeitando a presença de mulheres em espaços de poder”, escreveu Janja.
A reação da primeira-dama ocorre após Zezé Di Camargo divulgar um vídeo em que anuncia que pediu ao SBT para não exibir seu especial de fim de ano, alegando que a emissora abandonou valores historicamente associados ao fundador do canal. O cantor criticou especialmente a presença de Lula e do ministro Alexandre de Moraes em um evento institucional do canal, o que, para ele, simbolizaria uma mudança ideológica clara.
Aliados do cantor avaliam que a resposta de Janja tenta deslocar o foco da discussão, que originalmente girava em torno de liberdade editorial, alinhamento político da mídia e proximidade entre governo e emissoras, para um campo identitário, rotulando a crítica como misoginia.
Zezé, em nenhum momento, questionou a presença de mulheres em cargos de comando, mas sim a mudança de postura política do SBT após a morte de Silvio Santos, fundador da emissora, conhecido por manter distância institucional de governos e do Judiciário.
A fala do cantor foi clara ao afirmar que não se sentia mais representado pela emissora e que não desejava associar sua imagem a um canal que, segundo ele, passou a abrir espaço privilegiado ao governo Lula e ao STF.
O lançamento do SBT News contou com a presença de Lula, Janja, do vice-presidente Geraldo Alckmin, de ministros como Fernando Haddad, Ricardo Lewandowski e Jorge Messias, além dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também esteve presente, assim como o ministro do TCU Bruno Dantas.
Para críticos, o evento simbolizou uma reaproximação explícita entre mídia tradicional, governo federal e Judiciário, o que ajuda a explicar a reação de figuras públicas alinhadas ao campo conservador, como Zezé Di Camargo, apoiador declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A controvérsia expõe um embate maior: de um lado, artistas e cidadãos que questionam o alinhamento político da mídia; de outro, integrantes do governo que respondem às críticas com rótulos morais e acusações de preconceito, evitando o debate de fundo.
A manifestação de Janja, longe de encerrar o episódio, ampliou a repercussão e reforçou a percepção de que qualquer crítica ao atual governo ou às instituições alinhadas a ele passa a ser tratada como ataque pessoal ou discurso de ódio — estratégia que vem sendo adotada com frequência por setores do Planalto.
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