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Justiça da Espanha rejeita extradição de Oswaldo Eustáquio

Justiça da Espanha rejeita extradição de Oswaldo Eustáquio

Tribunal espanhol afirma que acusações não configuram crime no país e reforça proteção à liberdade de expressão

Por: Redação

17/12/2025 às 14:24

Imagem de Justiça da Espanha rejeita extradição de Oswaldo Eustáquio

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Justiça da Espanha rejeitou definitivamente o pedido do governo brasileiro para extraditar o jornalista Oswaldo Eustáquio, residente no país desde 2023. A decisão foi tomada pela 3ª Seção da Sala Penal da Audiência Nacional espanhola, que negou recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) e encerrou o processo ao reconhecer que as acusações feitas no Brasil não encontram respaldo na legislação espanhola.

Com o julgamento, a própria AGU reconheceu que não há mais possibilidade de recurso, restando apenas aguardar o trânsito em julgado para o encerramento formal do caso. Para acompanhar o processo, o governo brasileiro havia contratado um escritório de advocacia na Espanha, mas não conseguiu reverter a decisão judicial.

 

Liberdade de expressão foi ponto central da decisão

A Justiça espanhola baseou sua decisão no princípio da “dupla tipicidade”, previsto em tratados internacionais de extradição. O entendimento é de que um cidadão só pode ser extraditado se o fato atribuído a ele for considerado crime nos dois países envolvidos. Segundo os magistrados espanhóis, esse requisito não foi atendido no caso de Eustáquio.

Na avaliação do tribunal, as condutas atribuídas ao jornalista no Brasil se enquadram no exercício da liberdade de expressão, direito protegido pela Constituição espanhola e pela legislação europeia. Em publicação nas redes sociais, Eustáquio comemorou a decisão afirmando que “o que o Brasil considera crime, na Espanha é liberdade de expressão”.

 

Rejeições internacionais se acumulam

A negativa da Justiça espanhola não é um episódio isolado. Em casos anteriores, a Interpol também rejeitou pedidos do ministro Alexandre de Moraes para inclusão de Oswaldo Eustáquio e do jornalista Allan dos Santos na lista vermelha da organização internacional. A entidade alegou falta de clareza na descrição dos supostos crimes e ausência de tipificação penal adequada.

Essas decisões sucessivas no exterior reforçam críticas de juristas e parlamentares da oposição quanto ao uso de instrumentos penais para enquadrar manifestações políticas e jornalísticas. Para esse grupo, há um padrão de judicialização excessiva de opiniões, que não encontra respaldo em democracias consolidadas.

 

Impacto político e institucional

A decisão da Justiça espanhola representa mais um revés internacional para o Supremo Tribunal Federal e para o governo Lula, que buscavam dar alcance global às investigações relacionadas aos atos políticos do período pós-eleitoral de 2022. O caso amplia o debate sobre os limites da atuação judicial e o respeito a garantias fundamentais, como a liberdade de expressão e o devido processo legal.

Com o trânsito em julgado, Oswaldo Eustáquio permanece legalmente na Espanha, fora do alcance das ordens judiciais brasileiras, encerrando um dos capítulos mais sensíveis da tentativa de internacionalização dessas ações.

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