A Justiça dos Estados Unidos reconheceu o processo de liquidação do Banco Master em curso no Brasil e determinou o bloqueio dos ativos do grupo em território norte-americano. A decisão foi proferida pelo juiz Scott M. Grossman, do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, nesta quinta-feira (8), e representa um revés para o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador e controlador do conglomerado.
O pedido de reconhecimento foi apresentado por representantes do liquidante brasileiro e teve como objetivo preservar os bens do banco nos EUA enquanto a Justiça brasileira define a forma de pagamento aos credores. Com a decisão, ficam suspensas ações judiciais individuais, execuções e tentativas isoladas de bloqueio de patrimônio no país.
Além disso, o juiz autorizou o liquidante a administrar os ativos localizados nos Estados Unidos e proibiu qualquer venda, transferência ou movimentação desses bens sem autorização judicial. A fundamentação se baseia nas regras da legislação norte-americana que tratam de processos de insolvência transnacional envolvendo empresas estrangeiras.
A decisão não se restringe ao Banco Master. Também foram incluídas no reconhecimento judicial outras instituições ligadas ao grupo de Vorcaro, como LetsBank, Banco Master de Investimentos e Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, todas liquidadas pelo Banco Central em novembro do ano passado.
Nos bastidores do caso, a medida é vista como uma derrota direta para Vorcaro, já que a Justiça norte-americana retirou qualquer possibilidade de controle direto ou indireto do grupo sobre seus ativos nos EUA. Com o reconhecimento da liquidação brasileira, o patrimônio passa a ficar exclusivamente sob a administração do liquidante, fora do alcance dos antigos controladores.
A decisão também lança luz sobre a presença do grupo Master em território norte-americano. Reportagens citam a aquisição de imóveis de alto valor na Flórida, incluindo uma mansão em Miami avaliada em cerca de US$ 85 milhões, além de outros investimentos imobiliários feitos por empresas ligadas à família de Vorcaro. Parte dessas informações não foi confirmada oficialmente pela defesa do empresário.
Com o reconhecimento do processo de liquidação, esses ativos ficam formalmente protegidos enquanto a condução do caso permanece sob responsabilidade das autoridades brasileiras, reforçando o alcance internacional da intervenção do Banco Central e consolidando o cerco judicial ao grupo financeiro.