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Lewandowski comprou imóvel de investigado pela PF um mês antes de bloqueio judicial
Lewandowski comprou imóvel de investigado pela PF um mês antes de bloqueio judicial
Negócio de R$ 9,4 milhões envolvendo alvo de investigações no setor de combustíveis reacende questionamentos sobre critérios e riscos institucionais
Por: Redação
06/02/2026 às 08:42

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Uma transação imobiliária realizada em março de 2024 colocou o então ministro da Justiça do governo Lula, Ricardo Lewandowski, no centro de questionamentos públicos. À época, ele adquiriu por R$ 9,4 milhões uma residência de alto padrão pertencente a Alan de Souza Yang, conhecido como “China”, empresário investigado pela Polícia Federal por crimes no setor de combustíveis. Apenas um mês após a venda, o imóvel foi alvo de bloqueio judicial no âmbito das apurações.
A casa, localizada em um condomínio fechado na zona sul da cidade de São Paulo, possui cerca de 777 metros quadrados e foi adquirida à vista por meio da empresa Eryal Empreendimentos e Participações, vinculada à família Lewandowski. O imóvel havia passado por uma série de negociações recentes antes da compra, incluindo uma transferência interna na família do investigado por valor significativamente inferior ao pago posteriormente.
Alan de Souza Yang já figurava, no momento da venda, como alvo recorrente de investigações relacionadas à adulteração e à evasão fiscal no setor de combustíveis. Em 2025, seu nome passou a constar formalmente na Operação Carbono Oculto, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e sonegação estimado em R$ 52 bilhões, com indícios de envolvimento de empresários ligados ao crime organizado.
Segundo documentos da Receita Federal citados nas investigações, embora Yang declarasse rendimentos modestos, movimentações financeiras expressivas eram registradas em contas vinculadas à sua esposa, associada a dezenas de empresas. Esse contexto levou a Justiça a determinar medidas de bloqueio patrimonial, atingindo o imóvel negociado com o ex-ministro.
Procurado, Lewandowski afirmou que a aquisição ocorreu logo após sua posse no Ministério da Justiça, motivada por razões de segurança, e que não tinha conhecimento das investigações, uma vez que os processos tramitavam sob sigilo. Segundo ele, a negociação foi intermediada por um corretor, todas as certidões estavam regulares e o valor pago refletia o preço de mercado.
O ex-ministro declarou ainda estar em tratativas para resolver a situação jurídica do imóvel e admitiu a possibilidade de desfazer o negócio e ser ressarcido, já que a propriedade não chegou a ser registrada formalmente em seu nome.
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