Lula classifica prisão de Nicolás Maduro como “lamentável”
Presidente afirma que ofensiva americana representa erosão do direito internacional e diz que futuro do país vizinho deve ser decidido pelos próprios venezuelanos
Por: Redação
18/01/2026 às 21:31

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “lamentável” a prisão do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, capturado em uma operação conduzida pelos Estados Unidos no início de janeiro. A declaração foi feita em um artigo publicado neste domingo (18) no New York Times, no qual o petista criticou duramente a ofensiva americana na Venezuela.
No texto, Lula afirmou que a prisão de Maduro e a ação militar dos EUA representam “mais um capítulo lamentável na erosão do direito internacional”. Segundo ele, o uso recorrente da força por grandes potências enfraquece a Organização das Nações Unidas (ONU) e compromete o sistema multilateral, além de gerar impactos negativos sobre comércio, investimentos e fluxos migratórios.
Lula disse considerar “extremamente preocupante” o fato de a ofensiva atingir a América Latina e afirmou que seria a primeira vez em mais de dois séculos que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos. Para o presidente, ações unilaterais ameaçam a paz e a estabilidade globais e fragilizam Estados nacionais.
“O futuro da Venezuela tem de ser decidido pelos próprios venezuelanos, por meio de um processo político inclusivo”, escreveu Lula, acrescentando que o Brasil não será submisso a projetos hegemônicos, embora mantenha diálogo com Washington.
Após a captura de Maduro, ocorrida em 3 de janeiro, Lula conversou com líderes da Colômbia, do México e do Canadá. Em conjunto, os governos defenderam uma solução pacífica, baseada em diálogo e negociação, sem escalada de violência.
O governo brasileiro informou ainda que reforçou a fiscalização na fronteira com a Venezuela e enviou ajuda humanitária, defendendo que o caso seja discutido em fóruns multilaterais como a Organização das Nações Unidas e a Celac.
Com a prisão de Maduro, levado aos Estados Unidos sob acusações de ligação com o narcotráfico e liderança do chamado Cartel de los Soles, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o governo interino. Segundo informações oficiais, ela iniciou negociações com Washington, incluindo tratativas sobre a abertura do mercado de petróleo venezuelano.
Enquanto isso, os EUA afirmam que a operação teve como objetivo capturar Maduro e enfraquecer redes criminosas ligadas ao regime. Já autoridades venezuelanas classificaram a ação como tentativa de mudança de regime e de apropriação de recursos estratégicos do país.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil
Assine nossa news letter
Receba as principais notícias do dia direto no seu e-mail.




