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Lula critica postura com vizinhos, mas adota discurso ambíguo após conversa com Trump
Lula critica postura com vizinhos, mas adota discurso ambíguo após conversa com Trump
Petista tenta se equilibrar entre retórica antiamericanista e necessidade de diálogo com Washington, enquanto região vive tensão crescente
Por: Redação
03/12/2025 às 16:53

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Durante a inauguração do Polo Automotivo da General Motors no Ceará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a adotar um discurso ambíguo na política externa ao afirmar que o Brasil não deve “falar grosso” com países vizinhos e “falar fino” com os Estados Unidos. A declaração ocorreu um dia após uma conversa telefônica de 40 minutos com o presidente Donald Trump, marcando mais um capítulo das idas e vindas do governo brasileiro na diplomacia regional.
Sem mencionar diretamente situações específicas, Lula citou a Bolívia como exemplo e sugeriu que o Brasil deve tratar igualmente “o pequeno e o grande”. No entanto, a retórica contrasta com episódios recentes em que o governo petista demonstrou complacência com regimes autoritários na América Latina, ao mesmo tempo em que mantém tom crítico a decisões norte-americanas.
O presidente aproveitou o discurso para reforçar a escolha de Geraldo Alckmin (PSB) como articulador de negociações comerciais com Washington, descrevendo-o como alguém que “não gosta de brigar”. A fala, porém, também evidencia o esforço do governo em tentar manter diálogo com os EUA, especialmente diante da escalada de tensões no Caribe e da política firme de Trump em relação ao narcotráfico e ao regime de Nicolás Maduro — postura à qual o governo Lula tradicionalmente reage com desconforto.
Lula disse ter solicitado a Trump apoio para localizar criminosos brasileiros nos Estados Unidos, admitindo assim a dependência do país da cooperação norte-americana em segurança pública. Analistas veem a movimentação como um sinal de pragmatismo forçado: enquanto o discurso público tenta preservar um verniz ideológico, as demandas práticas obrigam o Planalto a recorrer justamente ao parceiro que mais critica.
O petista também relacionou sua retórica diplomática ao plano de reindustrialização, citando o avanço do setor automotivo e a nova estratégia da indústria brasileira. Mesmo assim, a fala ocorre num cenário regional instável e num momento em que o Brasil enfrenta dificuldades comerciais e de competitividade acumuladas ao longo de gestões anteriores, incluindo as do próprio PT.
A menção à Bolívia, agora sob nova administração e buscando reabertura econômica, também revela preocupação com recursos estratégicos e rotas energéticas — temas sensíveis para o país. Ainda assim, a tentativa de Lula de se apresentar como mediador neutro contrasta com sua histórica proximidade a governos de esquerda na região.
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