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Lula diz que reunião com dono do Banco Master ocorreu a pedido de Guido Mantega

Lula diz que reunião com dono do Banco Master ocorreu a pedido de Guido Mantega

Presidente afirma ter garantido investigação técnica do Banco Central e tenta afastar suspeitas de interferência política no caso

Por: Redação

06/02/2026 às 08:55

Imagem de Lula diz que reunião com dono do Banco Master ocorreu a pedido de Guido Mantega

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o encontro mantido com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ocorreu a pedido do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Segundo Lula, a conversa teve como objetivo assegurar que a apuração conduzida pelo Banco Central sobre a instituição financeira seguiria critérios estritamente técnicos, sem qualquer interferência política do governo.

Em entrevista concedida ao portal UOL, o presidente relatou que a reunião ocorreu em dezembro de 2024, meses antes de o escândalo envolvendo o Banco Master ganhar dimensão pública. À época, Vorcaro teria se apresentado como vítima de perseguição e relatado pressões contrárias a seus interesses. Lula afirmou ter sido categórico ao afirmar que não haveria proteção política nem direcionamento governamental na condução das investigações.

“O que haverá é uma investigação técnica feita pelo Banco Central”, disse o presidente, segundo relato da entrevista. Lula declarou ter assegurado ao banqueiro que caberia à autoridade monetária avaliar se houve irregularidades, quebra da instituição ou lavagem de dinheiro, sem influência do Palácio do Planalto.

O presidente explicou ainda que não havia compromisso prévio com Vorcaro e que a reunião foi organizada após solicitação de Mantega. Para o encontro, Lula convidou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e, posteriormente, buscou ouvir o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo ele, o objetivo foi reunir avaliações técnicas e respaldo institucional diante da gravidade do caso.

Lula afirmou que o episódio representa uma oportunidade para o Estado brasileiro enfrentar esquemas de grande escala envolvendo lavagem de dinheiro e corrupção. Em declarações públicas recentes, o presidente chegou a classificar o caso como um dos maiores rombos econômicos já registrados no país, destacando que os prejuízos acabariam recaindo sobre o sistema financeiro e, indiretamente, sobre os contribuintes.

Apesar do discurso de neutralidade, o encontro entre o chefe do Executivo e o controlador do Banco Master ocorre em um contexto de crescente pressão política e institucional. O caso envolve investigações da Polícia Federal, disputas no Congresso pela instalação de uma CPMI e decisões sensíveis no Supremo Tribunal Federal, ampliando o debate sobre os limites da atuação do governo em crises financeiras de grande impacto.

Ao comentar a contratação do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski pelo Banco Master, Lula minimizou o episódio, afirmando que juristas renomados costumam ser procurados por empresas em dificuldades e que não haveria irregularidade na relação profissional.

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