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Lula é cobrado por presidente do Paraguai por espionagem da Abin: crise expõe desgaste diplomático
Lula é cobrado por presidente do Paraguai por espionagem da Abin: crise expõe desgaste diplomático
Durante reunião no Mercosul, Santiago Peña exigiu esclarecimentos sobre operação que mirou autoridades paraguaias; governo brasileiro alega que caso teve origem sob Bolsonaro
Por: Redação
04/07/2025 às 10:34

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi cobrado pessoalmente nesta quinta-feira (4) pelo presidente do Paraguai, Santiago Peña, por suposta operação de espionagem da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra autoridades paraguaias. A abordagem direta ocorreu durante uma reunião bilateral em Buenos Aires, pouco antes de Lula assumir a presidência rotativa do Mercosul.
“Expressei minha preocupação com o caso de espionagem e solicitei o total comprometimento das autoridades brasileiras no esclarecimento dos fatos”, escreveu Peña nas redes sociais. Segundo o presidente paraguaio, “respeito e diálogo” são condições essenciais para a confiança entre os países.
A denúncia, revelada em março, aponta que a Abin teria utilizado um programa de invasão para acessar informações sensíveis sobre as negociações da tarifa da Usina de Itaipu — tema historicamente delicado nas relações entre Brasil e Paraguai. A operação teria ocorrido com autorização do atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa, indicado por Lula e posteriormente indiciado pela Polícia Federal por obstrução de investigação no caso que ficou conhecido como “Abin paralela”.
Em nota, o governo Lula nega qualquer envolvimento e afirma que a espionagem teve início na gestão de Jair Bolsonaro (PL), sendo encerrada em março de 2023, assim que o Planalto tomou conhecimento do esquema.
Apesar do desgaste diplomático, os dois presidentes concordaram em retomar as negociações sobre o Anexo C do Tratado de Itaipu, que trata da divisão da energia excedente gerada pela hidrelétrica binacional. O Paraguai havia suspendido as tratativas até que o episódio de espionagem fosse esclarecido.
O caso expõe não apenas as fragilidades institucionais no controle das agências de inteligência, mas também o impacto geopolítico de ações ilegais herdadas ou encobertas, num momento em que o Brasil tenta resgatar seu protagonismo regional.
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