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Lula reage a tarifa dos EUA com discurso de enfrentamento e insinua traição interna: “chantagem inaceitável”
Lula reage a tarifa dos EUA com discurso de enfrentamento e insinua traição interna: “chantagem inaceitável”
Em rede nacional, presidente critica Trump, ataca opositores e usa crise para reforçar imagem perante setores produtivos
Por: Redação
17/07/2025 às 23:17

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta quinta-feira (17) um pronunciamento em rede nacional para responder à taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. Ao longo de mais de quatro minutos, Lula classificou a carta enviada por Donald Trump como “chantagem inaceitável” e aproveitou a oportunidade para endurecer o discurso contra adversários internos, a quem chamou de “traidores da pátria”.
“Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos”, afirmou o presidente, que prometeu defender os interesses nacionais em meio à disputa tarifária.
O tom do pronunciamento contrasta com a diplomacia usual em conflitos comerciais e marca um novo momento político para o Planalto. Lula acusou políticos brasileiros de apoiarem as medidas norte-americanas e sugeriu que estariam contribuindo com interesses estrangeiros em detrimento da economia nacional.
“Minha indignação é ainda maior ao saber que esse ataque ao Brasil conta com o apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria”, declarou, em linha com a retórica de confronto.
A postura do petista — que antes buscava reconstruir pontes com os Estados Unidos — agora aposta no nacionalismo e na mobilização interna. Com apoio de parte do empresariado, a fala também representa uma tentativa de aproximação com setores tradicionalmente refratários ao governo, como a agroindústria e a indústria de transformação.
Lula também se valeu do episódio para reforçar bandeiras ideológicas, como o controle das plataformas digitais. Voltou a dizer que redes sociais estariam sendo usadas para “espalhar ódio, racismo, violência contra as mulheres e ataques à democracia”, e cobrou que empresas de tecnologia estrangeiras se submetam às leis nacionais.
Sobre o comércio bilateral, o presidente refutou as alegações dos EUA e destacou que o país norte-americano acumula superávit de mais de 400 bilhões de dólares em transações com o Brasil nos últimos 15 anos — um dado usado como resposta às acusações de práticas desleais por parte do governo Trump.
“São falsas as alegações sobre práticas comerciais desleais por parte do Brasil”, disse. “O Brasil é muito maior do que qualquer ameaça.”
Um dos momentos mais simbólicos do discurso foi a defesa do Pix, sistema de pagamentos que se tornou alvo indireto da carta de Trump. Lula classificou os ataques como inaceitáveis e defendeu o modelo como “patrimônio do povo brasileiro”.
“Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo — e vamos protegê-lo”, disse.
O pronunciamento também marcou uma tentativa de reposicionamento estratégico. Em entrevistas recentes, como à CNN americana, Lula acusou Trump de agir com interesses políticos internos e afirmou que a ofensiva tarifária não surtirá efeito sobre o inquérito que envolve Jair Bolsonaro no STF.
Este foi o primeiro pronunciamento de Lula feito em clima de recuperação de popularidade. Após momentos de desgaste político — como a crise envolvendo o Pix e os escândalos no INSS — o Planalto viu na tensão com os EUA uma oportunidade de unificar o discurso, atacar opositores e tentar se apresentar como defensor da soberania nacional.
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