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Lula tenta usar COP30 para criticar EUA e “negacionistas”, mas discurso é visto como demagógico por analistas
Lula tenta usar COP30 para criticar EUA e “negacionistas”, mas discurso é visto como demagógico por analistas
Na abertura da conferência em Belém, petista disse que é “mais barato cuidar do clima do que fazer guerra”, em indireta a Washington
Por: Redação
10/11/2025 às 12:54

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Durante o discurso de abertura da COP30, realizada nesta segunda-feira (10) em Belém (PA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou adotar o tom de liderança global em defesa do meio ambiente, mas acabou provocando críticas dentro e fora do país.
O petista afirmou que, se “os homens que fazem guerra estivessem na COP”, perceberiam que “é muito mais barato colocar US$ 1,3 trilhão para acabar com o problema climático do que US$ 2,7 trilhões para fazer guerra”, em referência indireta aos Estados Unidos e seus gastos militares.
“Fazer a COP no coração da Amazônia é uma proeza. Parabéns ao governador Helder Barbalho e à Casa Civil por essa lição de civilidade e grandeza humana”, disse Lula, elogiando a gestão do Pará.
O presidente também aproveitou o palco internacional para criticar os “negacionistas” e “obscurantistas”, afirmando que eles “atacam as instituições, a ciência e as universidades” e que seria hora de “impor uma nova derrota” a esses grupos.
Contradições e críticas
Apesar do discurso, especialistas em meio ambiente e analistas políticos apontaram contradições entre a fala de Lula e as ações do próprio governo. O Planalto autorizou recentemente a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, além de investir bilhões em subsídios para combustíveis fósseis.
Para críticos, o evento — anunciado como “a COP da Amazônia” — escancara o abismo entre o discurso ecológico e a prática petista.
“É incoerente criticar o Ocidente por guerras enquanto o governo brasileiro ignora sua própria expansão petrolífera e o desmatamento interno”, avaliou um especialista ouvido pelo Poder360.
Além disso, a ausência de Donald Trump, que retomou a presidência dos Estados Unidos, esvaziou politicamente a conferência, que registrou o menor número de líderes presentes desde 2019.
O discurso e o contexto internacional
Lula usou parte da fala para listar tragédias climáticas recentes — como furacões no Caribe e tornados no Paraná —, dizendo que “a mudança do clima já não é ameaça do futuro, mas tragédia do presente”.
Ainda assim, sua tentativa de se colocar como porta-voz da “solidariedade global” foi vista com ceticismo por parte da imprensa internacional. Analistas classificaram o discurso como “ideológico e moralista”, voltado mais a reforçar a imagem do PT do que a apresentar propostas práticas de transição energética.
“Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam a ciência e espalham o medo. É hora de derrotar os negacionistas”, declarou Lula — frase que provocou reações de opositores, que o acusaram de tentar politizar o debate climático.
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