E se Lula fosse preso nos EUA pelos crimes que foi condenado no Brasil?
Por Flávio Sande
Por: Redação
17/07/2025 às 19:03

Foto: Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atualmente em seu terceiro mandato à frente da Presidência da República, teve todas as suas condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) entre 2021 e 2022. O STF considerou que a 13ª Vara Federal de Curitiba, comandada por Sergio Moro, era incompetente para julgar os processos, além de declarar a suspeição do então juiz, hoje senador da República.
No entanto, um levantamento comparativo realizado pela Rede Comunica Brasil revela que, em sistemas penais mais rígidos como o dos Estados Unidos, Lula poderia ter sido condenado a penas de dezenas de anos de prisão, mesmo com os mesmos fatos e provas que levaram à sua condenação no Brasil.
Antes da anulação pelo STF, Lula foi condenado em três ações penais no âmbito da Operação Lava Jato:
Triplex do Guarujá: condenado a 12 anos e 1 mês por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O Ministério Público sustentava que o petista recebeu um apartamento da OAS em troca de contratos com a Petrobras.
Sítio de Atibaia: condenado a 12 anos e 11 meses. A acusação dizia respeito a reformas no sítio feitas pelas empreiteiras Odebrecht e OAS.
Doações ao Instituto Lula: condenado a 17 anos por supostamente receber propina disfarçada em doações.
Todas as sentenças foram anuladas, mas não houve absolvição de mérito, apenas decisão de que os processos deveriam ter tramitado em outra vara judicial.
E se fosse nos Estados Unidos?
Se os mesmos crimes fossem julgados nos Estados Unidos — com foco em corrupção e lavagem de dinheiro — Lula enfrentaria penas muito mais duras. O sistema penal americano, tanto em nível federal quanto estadual, costuma aplicar sanções severas para crimes ligados à administração pública.
Na Flórida, crimes de corrupção envolvendo valores elevados ou lavagem de dinheiro acima de US$ 20 mil podem gerar até 30 anos de prisão por infração.
Na Califórnia, a pena pode chegar a 8 anos, mas com acúmulo em caso de múltiplos delitos.
Em Nova York, o crime de suborno de agente público pode gerar até 25 anos de cadeia, o mesmo para lavagem de dinheiro de grande valor.
Já na Justiça Federal americana, onde casos com impacto nacional são julgados, a pena por lavagem de dinheiro pode alcançar 20 anos por infração, enquanto corrupção de funcionário público pode render 15 anos de prisão e multas superiores a US$ 250 mil.
Além disso, diferentemente do Brasil, questões processuais raramente anulam provas substanciais de crimes nos Estados Unidos. Juízes declarados suspeitos ou erros de jurisdição não invalidam automaticamente provas colhidas ou condenações fundamentadas.
O caso de Lula se tornou um símbolo da polarização política no Brasil e da fragilidade institucional do combate à corrupção. O Supremo Tribunal Federal não inocentou Lula, mas apontou falhas no trâmite processual. Na prática, essas decisões abriram caminho para o seu retorno político.
Por outro lado, se os mesmos crimes tivessem sido cometidos nos Estados Unidos, especialistas afirmam que o presidente teria sido condenado a décadas de prisão — e dificilmente veria suas sentenças anuladas por motivos processuais.
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